Editora Record – “Diário do Conde d’Eu”, organização de Rodrigo Goyena Soares

 

“Diário do Conde d’Eu”, organização de Rodrigo Goyena Soares

 

Por Rafael Sento Sé

“Foi uma luta obstinada: Pedra, que comandava a infantaria foi ligeiramente ferido por um golpe de lança que parou com o braço. Desde a manhã, as granadas passavam por cima de nossas cabeças e, amiúde, as balas de fuzil, perto de nossas orelhas. Quando granadas explodiam perto de mim, rapidamente se formava coro em meu Estado-Maior”. A viva descrição da Batalha de Campo Grande, pródiga em detalhes, integra o diário de campanha do Conde d’Eu, que comandou as tropas brasileiras no último ano da Guerra do Paraguai. Escrito em francês, língua-materna do marido da Princesa Isabel, o documento permaneceu inédito, recolhido no arquivo do Museu Imperial, por quase 120 anos. Encontrado pelo historiador e cientista político carioca Rodrigo Goyena Soares, especialista no estudo do conflito, o documento chega às mãos dos leitores em edição ilustrada e cuidadosamente anotada pelo pesquisador. Diário do Conde D’Eu – Comandante em chefe das tropas brasileiras em operação na República do Paraguai (Paz & Terra) lança nova luz sobre a própria imagem do autor do relato de campanha, bem distante do militar facínora que conservadores e liberais republicanos, polos opostos do espectro político de então, chegaram a lhe incutir.

O historiador Rodrigo Goyena Soares, que resgatou um dos raros diários escrito no calor dos acontecimentos da guerra, assina um artigo crítico repleto de citações a correspondências trocadas entre o príncipe consorte com seu sogro, D. Pedro II, e figuras proeminentes do Império que ajudam a compreender as consequências da guerra para o Brasil. Ao mesmo tempo que representou o apogeu do governo monárquico, o conflito também marca o início de seu declínio com o surgimento do Exército como força política, em meio à disputa entre a elite escravocrata e abolicionistas que gozavam da simpatia do Conde D’Eu, entre estes o engenheiro André Rebouças e o escritor Joaquim Manuel de Macedo, citados frequentemente ao longo deste lançamento essencial da editora Paz & Terra, do Grupo Editorial Record. A obra traz ainda prefácio de Ricardo Salles e posfácio de Lilia Moritz Schwarcz.

Naquele momento, na segunda metade do século XIX, emergem ainda heróis de guerra como Floriano Peixoto e Deodoro da Fonseca, que viriam a proclamar e consolidar a República, assim como tantos outros nomes que hoje batizam ruas, praças e cidades em todo o país, tais quais General Osório, General Polidoro, Marechal Câmara, Marques do Heval, Francisco Otaviano e tantos outros. “O Exército ganhou expressividade política, a ponto de formular uma agenda de reformas que transcendia reivindicações corporativas. Falavam da abolição da escravatura, de industrialização, de proteção alfandegária, do soerguimento das classes médias, da restrição eleitoral e da purificação das instituições políticas. Aqui há algumas semelhanças com os militares do século XX”, compara o organizador de Diário do Conde D’Eu – Comandante em chefe das tropas brasileiras em operação na República do Paraguai .

Substituto do Duque de Caxias, o Conde d’Eu assumiu a chefia das tropas num momento em que as forças adversárias já estavam praticamente subjugadas, restando a missão principal de capturar o ditador paraguaio Francisco Solano López. Portanto, já não eram tão frequentes os embates diretos contra as derradeiras tropas de Solano López, que não passavam de pelotões maltrapilhos e que chegaram a recrutar crianças  para pegar em armas.

Na entrevista, o autor Rodrigo Goyena Soares conta um pouco sobre o trabalho de pesquisa, além de suas impressões a respeito da Guerra do Paraguai e do contexto político brasileiro na segunda metade do século 19.

Quais revelações ou novidades o diário de campanha do Conde D’Eu acrescenta à historiografia da Guerra do Paraguai?

Em primeiro lugar, o diário nos permite questionar – e muito! – as acusações historiográficas que se fizeram contra o Conde d’Eu sobre supostas atrocidades que ele teria cometido. As versões mais apaixonadas sustentam que o príncipe consorte teria ordenado, tanta na Batalha de Peribebuí quanto na de Campo Grande, degolas de oficiais paraguaios e promovido carnificinas contra mulheres e crianças. O que sobressai do diário, com o confronto de outras fontes disponíveis no Arquivo Histórico do Museu Imperial, em Petrópolis, é que, nos momentos mais tensos de combate corpo a corpo, o Conde d’Eu ficava na retaguarda. Somente quando o embate cessava, ele ia ao cenário de conflito e encontrava aquilo que é característico das guerras: excessos e mais excessos. O próprio príncipe escreveu a seu sogro, o Imperador Pedro II, lamentando dois episódios, especificamente. O da Batalha de Peribebuí, no qual os oficiais Vitorino e Tibúrcio teriam degolado seus homólogos paraguaios e, ainda, o de Campo Grande, em que as tropas brasileiras enfrentaram crianças paraguaias disfarçadas de adultos e carregando armas obsoletas. Talvez pudéssemos imaginar que as cartas fossem artifício do Conde d’Eu, para esconder atos pouco nobres. Mas essa hipótese tampouco se sustentaria porque, em primeira instância, não seria exatamente fácil esconder esses fatos e, ainda, para alguém que solicitou participar da guerra reiteradamente, com vistas a angariar popularidade para si e para a Coroa, a prática de degolas não seria a melhor maneira de constituir as bases de um terceiro reinado. Como se não bastasse, há ainda episódios posteriores, a partir dos quais também se acusou o Conde d’Eu de atrocidades militares. Com o diário, fica claro que o príncipe sequer estava presente nessas ocasiões. Estava em outras frentes de ação militar. Do ponto de vista mais social e menos militar, o diário é igualmente rico. Com ele, descobrimos como era a vida nos acampamentos e como os estigmas sociais e raciais da época se embrenhavam nas relações entre soldados e oficiais. O diário nos dá também a percepção do cheiro dos acampamentos, do cansaço pelo qual passavam os soldados e, em suma, das expectativas e das frustrações que marcaram aqueles homens.

Em que condições o senhor descobriu o diário de campanha? Por que razões permaneceu por tanto tempo desconhecido?

É um grande mistério porque o diário estava disponível há décadas no Arquivo Histórico do Museu Imperial. Talvez esse esquecimento se deva ao fato que o arquivo não está na rota clássica dos pesquisadores, que tendem a se concentrar no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília. Para ser honesto, tampouco tinha consciência da importância do arquivo para quem pesquisa o Império do Brasil, até que uma edição da hoje extinta Revista de História da Biblioteca Nacional – espero que volte à tona, logo! – mencionou a existência do diário. Fui imediatamente a Petrópolis e encontrei muito mais do que o diário. Diria que em torno de 60% das fontes que usei na minha tese de doutorado vieram de Petrópolis. Portanto, quem é do Império – como dizemos entre historiadores – deve mesmo ir ao Museu Imperial.

Qual imagem ficou do príncipe consorte após a Guerra? A leitura do diário reforça ou rechaça essa visão?

Ficou uma imagem muito negativa. O príncipe foi acusado não somente pelas supostas atrocidades militares. Também foi taxado de francês que falava português com sotaque, de surdo, de carola e de mesquinharia. Dizia-se, às vésperas da queda do Império, que o Conde d’Eu era proprietário de cortiços na Corte – isto é, no Rio de Janeiro – que alugaria às camadas populares por preços pouco módicos. Nada disso se sustenta. Na verdade, o que houve foi uma imensa campanha republicana de perseguição à figura do Conde. Se houvesse terceiro reinado, pensavam os republicanos, o Conde d’Eu teria grande voz e vez na condução dos negócios públicos: era preciso, então, sufocar qualquer popularidade que tivesse ou que viesse a ter. Um republicano radical chamado Silva Jardim lançou uma verdadeira cruzada contra o Conde, nos meses que antecederam à Proclamação da República. Em junho de 1889, o Conde d’Eu empreendeu uma viagem pelas então províncias do Norte e do Nordeste, com o objetivo de fazer propaganda para o ainda possível terceiro reinado. Silva Jardim o acompanhou, provendo comícios republicanos nas cidades em que o Conde passava. Inclusive, Silva Jardim chegou a propor a pena capital contra o Conde, caso ele viesse a resistir à Proclamação da República. Ou seja, os estigmas que hoje ainda marcam a figura do Conde d’Eu, em boa medida, foram obra dos republicanos, constituída tanto durante o Império quanto República adentro.  O diário, me parece, é um ótimo ponto de partida para recontar a história do Conde, que, não por acaso, é até hoje um personagem pouco conhecido do público especializado e não especializado.

Em ao menos duas passagens, o príncipe descreve que as balas e granadas inimigas passaram zunindo o pelotão que estava sob seu comando. Nestas ocasiões, ele descreve que teve de agir rispidamente para assumir a rédea do próprio cavalo. Passa a impressão de que o príncipe estava ali quase como um fantoche. O que o senhor acha dessa leitura?

Não acho que a palavra fantoche seja a melhor, embora o momento em que o Conde esteve à frente das tropas não tenha sido o de Osório ou o de Caxias. No final de 1868, Assunção estava praticamente tomada, e ficou claro, já no começo de 1869, que a guerra, a partir dali, seria tão somente uma caçada a Solano López, ditador do Paraguai. A atitude em relação às rédeas do cavalo era próprio da participação de príncipes, reis ou imperadores em combates. Preservava-se a figura real, por razões naturais: a perda de um monarca não era igual a perda de um oficial. No caso do Conde d’Eu, a possibilidade de um ferimento grave ou, quem sabe, de ser fatalmente atingido colocaria em xeque a descendência imperial. Era constantemente preservado, portanto. Casos diferentes eram os de Osório e de Caxias, as outras duas principais lideranças imperiais durante a guerra. Eles participaram do embate corpo a corpo porque eram oficiais. Mas, ainda assim, não era a regra. A perda de um oficial como Osório ou Caxias poderia significar grave desmoralização das tropas. Eram riscos a serem evitados.

O Conde d’Eu assumiu o comando das tropas no lugar de Duque de Caxias num momento em que as tropas inimigas estavam praticamente arrasadas. Qual papel o príncipe consorte desempenhou efetivamente no front?

Pois bem, voltando ao que disse anteriormente, não usaria o termo fantoche, porque o príncipe não foi um general de papel. É verdade que a guerra estava praticamente vencida – e por isso o Imperador autorizou a ida do genro ao front –, mas Solano López ainda estava em fuga. No diário, ficam claros os desafios militares de penetrar um território desconhecido à procura de um inimigo resvaladio. O Conde ficou um ano, praticamente, em busca de Solano López. Portanto, o papel do Conde foi de perseguição, muito mais do que de grandes manobras napoleônicas.

Logo que a Guerra eclodiu, Conde d’Eu expressou o desejo de se juntar às tropas e recorreu ao sogro insistentemente para que fosse enviado ao front. Por que seu pedido foi inúmeras vezes negado?

Essa é uma pergunta cuja resposta não está no diário, mas no artigo introdutório que acompanha o livro. Recorri a um variado leque de correspondências entre o Conde d’Eu, o Imperador e os políticos do Império, para entender as razões dessas recusas. Não são poucas. Dizia-se que o príncipe consorte poderia perecer em combate, que poderia contrair enfermidade, que não tinha a experiência militar de outros oficiais brasileiros, que provocaria desunião entre a Argentina e o Brasil tendo em vista os desentendimentos entre Mitre, o presidente argentino, e Osório. Caso esses desentendimentos persistissem com o Conde no comando das tropas brasileiras, haveria riscos para a estabilidade da Tríplice Aliança. Isso entre outras tantas razões. Mas a verdade é que havia uma clara tensão entre liberais e conservadores. Eram os conservadores, especialmente no Conselho de Estado e, depois, na chefia do gabinete imperial, que se opunham à participação do Conde no conflito. Em imensa medida, porque sabiam da proximidade entre o Conde e os liberais menos radicais. O André Rebouças queria fazer do Conde uma espécie de Joaquim Nabuco avant la lettre, incitando-o a levar adiante a emancipação dos escravos. O Conde chegou, inclusive, a rascunhar um projeto de lei para alforriar o ventre cativo. Para os conservadores mais emperrados, se o Conde trouxesse os louros da vitória, não haveria bons augúrios para o refreamento da questão servil. Para eles, o melhor era optar por Caxias, uma figura tanto militar quanto civil e, sobretudo, um conservador de mão cheia.

Ao nomear o Conde d’Eu comandante das tropas quando a guerra já se encaminhava para um desfecho, D. Pedro II pretendia pavimentar o terreno para o terceiro reinado, com Isabel, sua filha no trono. A estratégia fracassou. Por quê?

Sem dúvida. O Imperador não perdeu de vista que fazer do Conde o derradeiro herói de guerra, aquele que traria os louros da vitória, seria maneira eficaz de dar popularidade ao genro e pavimentar o terreno, como você diz, para o terceiro reinado. Não deu certo, em boa medida, devido à campanha republicana de difamação, da qual antes falamos, mas também ao ofuscamento progressivo do Conde. Ao terminar a guerra, o Conde assumiu lugar de destaque no Exército, não só devido à posição hierárquica, mas também pela quantidade de propostas que formulou para a reorganização do Exército. Buscava, em primeira instância, atender aos anseios da corporação, que se politizava cada vez mais. E o fazia, também, por intermédio de sua condição de Conselheiro de Estado. O problema é que campanha de difamação ao Conde não chegou apenas no final do Império, mas imediatamente após a guerra. Os liberais radicais, que não eram os liberais moderados com os quais o Conde se correspondia, tornaram-se rapidamente republicanos… e a figura do Conde era de Conde, monárquica, portanto. Para os radicais, era preciso abafar imediatamente a popularidade do príncipe consorte. E o fizeram mediante a imprensa e, inclusive, mediante manifestações públicas. Trato desse tema em minha tese de doutorado, que diz respeito – ainda que não exclusivamente – aos veteranos da Guerra do Paraguai.

Houve intensa disputa política entre diferentes grupos que pretendiam colher os louros da vitória na guerra. Qual grupo se beneficiou efetivamente naquele primeiro momento?

Diria que nenhum deles, e disso falo também em minha tese de doutorado. Nenhum grupo conseguiu cooptar as Forças Armadas, especialmente o Exército. Os republicanos não as ganharam, longe disso. Naquela altura, a República não era vista como alternativa para alcançar as reformas na corporação. Não era sequer uma real hipótese para a caserna. Os liberais moderados tampouco venceram a querela do regresso dos veteranos ao Império. Não conseguiram derrubar o gabinete conservador do Visconde de Itaboraí, e o Exército, em que pese a adesão dos oficiais inferiores aos liberais, não estava disposto a respaldar uma posição de força contra os conservadores. Os conservadores, enfim, não lograram neutralizar as Forças Armadas, que, após a guerra, adensaram suas pressões por reformas corporativas. Pior, eram donos de um governo impopular, como ratifica o fiasco do Templo da Vitória, que foi a principal comemoração oficial após o conflito e cuja imagem integra o livro. Ou seja, de alguma forma ou de outra, foi o Exército o grupo que mais se beneficiou naquele primeiro momento: passava a ser um dos principais centros de atenção política. Não por coincidência, a caserna, daí em diante, passou por um processo de politização crescente.

De que forma a guerra influenciou no processo que redundou na Proclamação da República?

Influenciou imensamente. O término da Guerra foi uma espécie de divisor de águas: marcou o auge, mas também o começo do declínio da monarquia. E isso se deveu à entrada das Forças Armadas, de forma muito mais expressiva do que anteriormente, na política nacional. Os veteranos retornaram ao Império marcados por expectativas, mas encontraram frustrações. Foi nessa tensão entre expectativas e frustrações que se constituiu um grupo alternativo aos partidos do Império, que se queria partido também, embora não no sentido eleitoral. Era o Exército. Os veteranos pagaram o tributo de sangue e, no retorno, passaram a exigir as compensações. A medida que não vieram à baila, o Exército ganhou expressividade política, a ponto de formular uma agenda de reformas que transcendia reivindicações corporativas. Falavam da abolição da escravatura, de industrialização, de proteção alfandegária, do soerguimento das classes médias, da restrição eleitoral e da purificação das instituições políticas. Aqui há algumas semelhanças com os militares do século XX, pode-se perceber. Não à toa, os militares que fizeram a República eram veteranos do Paraguai: Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto e Benjamin Constant, para citar apenas alguns. Mas essa é uma outra história, que estou agora escrevendo, como segundo volume do doutorado.

Fonte: http://www.blogdaeditorarecord.com.br/2017/09/15/diario-do-conde-deu-organizacao-de-rodrigo-goyena-soares/

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D. Maria Leopoldina e D. Isabel irão constar do Livro de Heróis e Heroínas da Pátria

A Deputada Federal Dâmina Pereira (PSL-MG), coordenadora da Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados, recebeu em reunião, em 10.11.2016, o Dr. João Pedro de Saboia Bandeira de Mello Filho, Subprocurador-Geral da República, e o Prof. Bruno da Silva Antunes de Cerqueira, conselheiros do IDII.

Ela aprovou entusiasticamente o anteprojeto de lei do IDII para inserir os nomes de D. Maria Leopoldina (1797-1826) e D. Isabel (1846-1921) no chamado “Livro de Heróis e Heroínas da Pátria”, que fica no Panteão da Pátria e da Liberdade, em Brasília.

O projeto de lei nº. 6.405/2016, da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, recebeu pareceres favoráveis nas comissões por que passou e agora o Presidente da Câmara, Deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), solicitou urgência na tramitação, que ainda depende da Comissão de Constituição e Justiça.

Nas fotos, tiradas pela assessoria da Dep. Dâmina Pereira, estão ainda a antiga chefe do Cerimonial da Câmara dos Deputados, Profª. Clara Monteiro de Castro Pinto, e o assessor parlamentar Lin Israel.

 

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Conselheiros idiianos são empossados no Instituto Histórico de Petrópolis

Os Conselheiros Luciano Cavalcanti de Albuquerque e Bruno Antunes de Cerqueira foram empossados hoje como membros correspondentes do IHP, cuja sede fica na Casa Claudio de Souza, na Praça da Liberdade, Centro de Petrópolis.

Devido a uma programação cultural nipônica estar ocorrendo na Casa Claudio de Souza, a cerimônia de posse ocorreu no Auditório Multimídia do Museu Imperial.

Coordenou os trabalhos a Profª. Maria de Fátima Moraes Argon da Matta, Presidente do IHP, secundada pelo Prof. Joaquim Eloy Duarte dos Santos, membro da diretoria, que leu as Efemérides Petropolitanas.

Recebeu o historiador Bruno Antunes de Cerqueira no sodalício o associado Kenneth Lionel Lynch Light; já o arquiteto Luciano Cavalcanti de Albuquerque foi recebido pelo antigo presidente da Casa, Luiz Carlos Gomes.

Prestigiou a cerimônia e o vinho de honra que se seguiu o Senhor D. Gregório Paixão OSB, Bispo da Diocese de Petrópolis e membro do IHP.

As fotos são do IHP.

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Agência Senado – Na Revolução Federalista, senadores chegaram a pegar em armas

Na Revolução Federalista, em 1893, senadores chegaram a pegar em armas

Ricardo Westin | 03/08/2015, 12h23 – ATUALIZADO EM 03/08/2015, 16h13

Uma das histórias mais ensinadas nos colégios diz que a ruptura de 1889 ocorreu sem derramamento de sangue. De fato, a Proclamação da República, no Rio, foi um ato pacífico. Mas houve, sim, uma reação sangrenta ao sepultamento do Império. Ela se daria pouco tempo depois e a centenas de quilômetros da capital.

 

Foi a Revolução Federalista, a guerra civil que explodiu no Rio Grande do Sul em 1893 e mais tarde arrastou Santa Catarina e o Paraná. Os enfrentamentos se estenderam por dois anos e meio e terminaram com um saldo estimado de 10 mil cadáveres.

O acordo de paz, em 23 de agosto de 1895, completa 120 anos neste mês.

 

Para não perder o poder, os velhos barões do Império viraram a casaca em 1889 e conseguiram se transformar na nova elite da República. O Rio Grande do Sul foi exceção.

Na monarquia, o governo gaúcho esteve nas mãos dos fazendeiros. O último governador foi o estancieiro Gaspar da Silveira Martins, que era próximo de dom Pedro II. Na República, o poder foi tomado por intelectuais urbanos liderados pelo jornalista Júlio de Castilhos, governador gaúcho no final do século 19.

Uma das medidas de Castilhos foi impor uma Constituição estadual que concedia poderes quase ditatoriais ao governador. Esse foi o estopim para que Silveira Martins mobilizasse seus seguidores para derrubar o “tirano”.

Na Revolução Federalista, o estado ficou rachado entre os revolucionários (ou maragatos, grupo de Silveira Martins) e os legalistas (ou chimangos, grupo de Castilhos).

Os revolucionários, que se compunham basicamente de estancieiros e seus peões, estavam acostumados a matar ovelhas cortando-lhes o pescoço com um punhal e adaptaram essa cruel forma de execução à guerra — daí o apelido Guerra da Degola.

O conflito também rachou os senadores, como mostram documentos históricos guardados no Arquivo do Senado, em Brasília. Elizeu de Souza Martins (PI), em junho de 1893, discursou contra os legalistas:

— Não há outra Constituição ridícula como aquela.

No campo oposto, Manoel Victorino (BA) atacou:

— A República não pode ter maior adversário do que o senhor Gaspar da Silveira Martins, que está habituado a dominar desde o Império e não se sujeitará a estar em plano secundário na República.

Theodureto Souto (CE) adotou um tom conciliador:

— O Senado é o grande responsável pelo regime federal. Não lhe é permitido permanecer imóvel diante de situações como a do Rio Grande do Sul, teatro de uma revolução devastadora e em que se consomem milhares de vidas, milheiros de contos e o sentimento supremo da integridade da pátria.

Bate-boca

Dos senadores, dois pegaram em armas nos campos de batalha do Sul. Foram eles o legalista Pinheiro Machado (RS) e o revolucionário Eduardo Wandenkolk (DF).

Em maio de 1893, o Plenário discutia se daria ou não licença a Pinheiro Machado. Para Almeida Barreto (PB), a ausência do colega gaúcho naquele ano legislativo não deveria ser autorizada:

— Por mais que mereça o ilustre senador deixar de comparecer à presente sessão legislativa por achar-se de arma em punho, batendo-se em favor de um governo que tem feito derramar rios de sangue, não posso concorrer com meu voto para ser atendido semelhante pedido, que abre precedente prejudicial à gestão dos negócios públicos.

Aristides Lobo (DF) rebateu:

— Coloque-se o honrado senador na posição dele. Não estamos expostos às Mannlichers [tipo de rifle] e outras armas com que estão sendo fuzilados ele e seus companheiros. Faríamos uma injustiça recusando a licença.

O Senado concedeu a licença, e Pinheiro Machado, que já tinha no currículo a Guerra do Paraguai, comandou uma divisão legalista.

Embora não tenha ultrapassado os limites da Região Sul, a Revolução Federalista ganhou caráter nacional. Temendo que a guerra implodisse a frágil República, o presidente Floriano Peixoto enviou tropas em socorro do governador Castilhos. Os revolucionários, então, passaram a lutar pela queda também de Floriano.

O senador Eduardo Wandenkolk virou protagonista da guerra em 1893, quando foi preso na costa de Santa Catarina, num navio, dias após ter ajudado os revolucionários a atacar Porto Alegre. Ele era almirante e naquele momento também engrossava outra rebelião contra Floriano, a segunda Revolta da Armada (Armada era como se conhecia a Marinha).

Em agosto daquele ano, Floriano enviou uma mensagem ao Senado pedindo autorização para processar Wandenkolk por atentado “contra a estabilidade de um Poder constituído e a ordem pública”. Pela Constituição de 1891, senadores e deputados só poderiam ser levados aos tribunais mediante “prévia licença da sua Câmara”.

Após ouvir a mensagem, Coelho Rodrigues (PI) disse:

— Parece-me estar provado que o almirante, nosso colega muito distinto, praticou, se não todos, alguns dos fatos que lhe são arguidos. Esses fatos são de natureza grave. O Plenário do Senado autorizou o processo.

Acordo de paz

O problema de Wandenkolk não era com Castilhos, mas com Floriano. Em 1891, no lugar de convocar eleições após a renúncia do presidente Deodoro da Fonseca, como mandava a Constituição, o vice Floriano assumiu o poder na marra. O almirante Wandenkolk assinou um manifesto por eleições imediatas e, em resposta, foi reformado (aposentado) e preso.

O ódio de Wandenkolk por Floriano tinha mais um motivo. O almirante havia sido derrotado pelo marechal na disputa pela Vice-Presidência na eleição indireta de 1891.

Os revoltosos perderam o rumo em agosto de 1894, quando Gumercindo Saraiva, um de seus principais líderes, foi morto. Sem chance de vitória, eles aceitaram assinar o acordo de paz um ano depois, com a promessa de não serem punidos.

O Arquivo do Senado preserva o documento que Prudente de Morais, sucessor de Floriano, enviou ao Congresso anunciando por fim a paz. O senador Joaquim Catunda (CE) comemorou:

 

 

— Fez-se a paz e em condições tais que a República e a autoridade que a representa saíram ilesas. Fez-se também sem humilhação para os revoltosos, em termos honrosos e satisfatórios para todos.

Na realidade, os termos foram bem mais satisfatórios para os legalistas. A Constituição gaúcha não foi modificada, e Júlio de Castilhos se manteve no governo até 1898.

Em outubro, o Congresso aprovou o projeto de lei que concedia anistia aos revolucionários — incluindo Wandenkolk, que pôde voltar para a Marinha e para o Senado.

O historiador Rafael Sêga, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, explica:

— A versão de que a República foi imposta sem sangue foi criada pela classe dominante, que queria se legitimar. O golpe de 1889 pegou o país desprevenido e foram necessários três ou quatro anos para que as mágoas aflorassem e as elites do Império, alijadas do poder, reagissem. A Revolução Federalista abriu a porteira para uma série de conflitos cruentos, como Canudos e o Contestado. De pacífica, a história do Brasil não tem nada.

A seção arquivo S, resultado de uma parceria entre o Jornal do Senado e o Arquivo do Senado, é publicada na primeira segunda-feira de cada mês.

Fonte: http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2015/08/03/na-revolucao-federalista-em-1893-senadores-chegaram-a-pegar-em-armas

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Convite – Posse de conselheiros do IDII no Instituto Histórico de Petrópolis

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IDII e Linotipo Digital iniciam o “crowdfunding” para o livro “O Príncipe Soldado”

 

O Instituto e a editora paulista Linotipo Digital iniciaram hoje a campanha de arrecadação de fundos para a impressão do livro O Príncipe Soldado: a curta e empolgante vida de D. Antonio de Orleans e Bragança, prevista no bojo das comemorações dos 170 anos de D. Isabel.

A autora da biografia é a Profª. Drª. Teresa Malatian, sócia honorária do IDII.

Para acessar a campanha e contribuir, clique em: https://www.kickante.com.br/campanhas/livro-o-principe-soldado

 

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IDII celebra aniversário da Redentora com tertúlia neoabolicionista em Brasília

Ocorreu hoje na sede do IDII, no Lago Sul, a Tertúlia Neoabolicionista em honra dos 171 anos do nascimento de D. Isabel.

O Prof. William Rezende Quintal fez uma ótima palestra sobre suas pesquisas acerca da arte e do pensamento indigenista, filomonarquista e modernista de Vicente do Rêgo Monteiro (1899-1970). William Quintal é mestrando em História da Arte na UnB, tendo atuado por muitos anos como formador de professores indígenas brasileiros em Minas Gerais.

O pernambucano Vicente do Rêgo Monteiro viveu grande parte de sua vida em Paris, onde se ligou ao mundo cultural de língua francesa. Foi um grande expoente do modernismo brasileiro, assim como seu amigo Victor Brecheret (1894-1955).

Estiveram presentes o anfitrião, Cons. José Theodoro Mascarenhas Menck, o Cons. João Pedro de Saboia Bandeira de Mello Filho, Conde de Saboia-Bandeira-de-Mello, a Senhora Lilian Quintal, a Drª. Maria Esther Menna Barreto Camino, a Senhora Pollyana Guimarães e a Srtª. Clarice Marques Salgado, o Jorn. Adirson José de Vascancellos, o Dr. Claudio Luiz Correia Lima e o gestor do IDII, Cons. Bruno da Silva Antunes de Cerqueira.

Fotos de Matheus Mascarenhas Menck Pfeiffer Macedo.

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