Artigo – A Proclamação da República e o Movimento Popular “17 de Novembro” no Maranhão (1889)

Artigo – A Proclamação da República e o

Movimento Popular “17 de Novembro” no Maranhão (1889) *

 

Euges Lima **

 

A notícia da queda da Monarquia no Rio de Janeiro, capital do Império, e a instauração de um novo regime no Brasil, a República, chegou ao Maranhão com muitas incertezas, contrainformações e cautelas por parte das autoridades e da classe política, gerando uma onda de boatos, inseguranças e manifestações populares.

A adesão da Província do Maranhão ao novo regime só se deu no dia 18 de novembro de 1889, três dias após o Quinze de Novembro, primeiro, num ato militar discreto no interior do quartel do 5.º Batalhão de Infantaria e, em seguida, no mesmo dia, às 11 horas, no Palácio da Presidência, onde o Tenente-Coronel João Luiz Tavares, comandante do 5.º Batalhão, assumiu a chefia do governo, sucedendo o último presidente da Província do Maranhão, o Desembargador Tito Augusto Pereira de Mattos.

A Junta Provisória do governo ficou apenas um mês no poder e foi composta por sete membros: o Tenente Coronel João Luiz Tavares (presidente); o Bacharel José Francisco de Viveiros; o Bacharel Francisco de Paula Belfort Duarte; o Tenente Coronel Francisco Xavier de Carvalho; o Capitão José Lourenço Milanez; o 1.º Tenente Cândido Floriano da Costa Barreto e o Tenente Augusto Frutuoso Monteiro da Silva.

Um dia antes da proclamação da República no Maranhão, portanto, antes de sua oficialização e instalação, ocorreu em São Luís, uma forte reação popular ao novo regime – que estava na iminência de ser implantado − e ao suposto retrocesso que ele poderia vir a trazer, principalmente no que concerne à questão escravista. Esse episódio ficou conhecido como “Movimento popular 17 de novembro,” que foi uma grande onda de manifestações populares, compostas, principalmente por ex-escravos, mestiços, negros e “pardos”, ocorrida durante todo esse dia que abalou a cidade de São Luís, concentradas nas imediações da Rua 28 de Julho (Rua do Giz), n.º 05, cruzamento como a Rua dos Barbeiros, onde se localizava a redação do jornal republicano O Globo, que tinha como redatores Paula Duarte e Casemiro Jr.

Diante das inúmeras informações e boatos que circulavam em São Luís, naquele 17 de novembro, sobre a queda da Monarquia e a instauração da República; boatos de revogação da Lei Áurea e retorno da escravidão com o novo regime, as massas urbanas de ex-escravos, agora, homens livres, se organizaram em grandes manifestações e focaram em uma das principais lideranças do movimento republicano em São Luís, o bacharel e jornalista Francisco de Paula Belfort Duarte, o famoso “Paula Duarte”, conhecido por sua eloquência em seus discursos e por ser um grande agitador.

O objetivo inicial desse movimento era impedir a ida de Paula Duarte para uma conferência com populares, convocada por ele, que iria acontecer na Câmara Municipal, provavelmente para mobilizar a população para o fim da Monarquia no Maranhão e ascensão da República, trazendo certamente o conteúdo dos últimos telegramas do que ocorria no Rio de Janeiro.

Essas manifestações, pro-monarquia se dividiram em três momentos, durante todo o dia 17, o primeiro, de manhã, onde os manifestantes se concentraram em frente a sede do jornal O Globo e conseguiram por ora, seu intento, impedir a saída de Paula Duarte para a realização dessa conferência. Após isso, os manifestantes saíram pelas ruas de São Luís, vitoriosos e aos gritos de “Viva a Monarquia!” e “Viva a Redentora!”.

A segunda onda se deu à tarde, por volta das 16 horas, onde os manifestantes voltaram a se agrupar em frente a redação do Jornal. A partir daí o clima nas Ruas de São Luís ficava cada vez mais tenso. É deslocado até o local uma força militar de onze praças do 5.º Batalhão para garantir a integridade física de Paula Duarte e dispersar o povo concentrado, porém, à noite, por volta das 19 horas, os manifestantes, retornaram uma terceira vez a sede do Jornal, mais exaltados e dispostos ao enfrentamento.

Segundo o relatório do Alferes Antonio Raymundo Bello, comandante do destacamento que ordenou o fuzilamento, os primeiros tiros foram para o alto, de advertência. Segundo ele, como não conseguia conter a turba enfurecida, para preservar a vida de seus homens, deu uma segunda ordem para atirar na multidão, matando na hora, três homens e ferindo outros onze, terminando de forma trágica o breve movimento popular de “17 de novembro” contra a República e pela manutenção da Monarquia no Maranhão.

De acordo o mapa dos indivíduos baleados que deram entrada no Hospital da Santa Casa de Misericórdia no dia 17 de novembro de 1889, era um total de catorze homens, entre 20 e 40 anos, sendo que três já chegaram mortos e outro ferido, o qual acabou vindo posteriormente a falecer de tétano em consequência dos ferimentos, totalizando quatro mortos e dez feridos, que sobreviveriam. Conforme o Mapa dos corpos sepultados no Cemitério da Santa Casa de Misericórdia, aqui reproduzido, entre os dias 18 e 19 de novembro de 1889, os quatro manifestantes mortos foram: João de Britto (40 anos); Sergio (22 anos); Martinho (29 anos) e Raimundo Araujo Costa (34 anos), todos “pardos” ou pretos.

* Artigo revisto e publicado anteriormente no jornal O Imparcial, São Luís do Maranhão, 29 de novembro de 2018, p. 4, Opinião, com o título: “A Proclamação da República: O Movimento Popular no MA”.

** Professor de História da Rede Pública Estadual do Maranhão, historiador, ex-presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM) e atual vice-presidente.

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Vice-presidente do IDII concede entrevista à TV Comunitária do Rio

Dr. João Pedro de Saboia Bandeira de Mello Filho, Conde de Saboia-Bandeira de Mello, concedeu entrevista ao jornalista Francisco Soriano, presidente da TV Comunitária do Rio de Janeiro (canal 6 da NET), na qual falou sobre seu trabalho como subprocurador-geral da República em Brasília, o movimento por um Ministério Público democrático e aguerrido, os direitos originários congênitos dos povos indígenas às terras que ocupam e diversos outros temas de relevância social e política.

Assista o vídeo:

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TV Assembleia de Alagoas – Gestor do IDII fala sobre autobiografia de D. Isabel

A jornalista Isa Farias, que comanda o programa TV Cidadã — do canal institucional da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas —, entrevistou hoje o gestor do IDII sobre os projetos do Instituto e seus trabalhos enquanto indigenista da Funai.

Bruno de Cerqueira explicou, ainda, o neoabolicionismo e suas dimensões de resgate histórico-cultural e retomada social do(s) abolicionismo(s).

Confira:

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TV Senado – A perda do acervo do Museu Nacional

O programa Cidadania, da TV Senado, entrevistou o gestor do IDII e a antropóloga Luísa Molina, da Universidade de Brasília, sobre a tragédia que se abateu sobre o País com a perda irreparável da maior parte do acervo do Museu Nacional.

Confira:

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JMTV – A solidariedade dos maranhenses ao Museu Nacional

Um grupo de adolescentes e jovens estudantes realizou “abraçasso” hoje em São Luís do Maranhão, em homenagem ao Museu Nacional.

O “Grupo de Estudos Monárquicos 17 de Novembro”, citado na reportagem, inclui membros do IDII local e se destina a estudar e glorificar os negros que foram assassinados em decorrência da “Proclamação da República” em 17.11.1889, em São Luís.

Vídeo: https://globoplay.globo.com/v/6996296/?utm_source=facebook&utm_medium=share-player-desktop

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NOTA DO IDII SOBRE O MUSEU NACIONAL

O que fizemos ao Museu da Nação?

Destruímos o Museu da Nação.

Agora aparecerão mil especialistas, evidentemente vários não especialistas entre eles, para dizer o que se perdeu, em matéria de objetos e memorablia. Não se sabe o que se perdeu.

O Brasil ateou fogo ao seu Museu.

D. Pedro II e D. Isabel, que nasceram naquele palácio, mas também a mãe do primeiro e avó da segunda, D. Maria Leopoldina, que assinou o “decreto” da Independência do país — ata do Conselho de Estado — naquela Quinta da Boa Vista, no mesmíssimo dia em que o prédio ardeu em chamas (02 de setembro de 1822) acreditavam que somos um país abençoado. E se eles estiverem errados e formos o extremo oposto disso?

O Museu da Nação não padeceu somente porque o Presidente Juscelino Kubitschek visitou-o e depois inaugurou a Ilha Brasilis, inaugurando também o costume presidencial de relegar a baratas e cupins os infindáveis prédios históricos do Rio de Janeiro; ele padeceu, também, porque boa parte dos brasileiros atuais aceita, corrobora e inconscientemente apoia a destruição da cultura nacional.

Brasileiros adoramos terceirizar a culpa. Eis um esporte nacional não declarado. Não fazemos quase nada pela Nação, por sua História. Não damos um centavo ou dia de trabalho pelas instituições históricas e culturais. As manchetes dos jornais reproduzirão o Brasil. A culpa será sempre de Fulano, de Sicrano ou de Beltrano.

Que as labaredas do palácio-museu tenham levado consigo a purgação de muitas culpas desta Nação, tal como ocorria em algumas das culturas de que ele era repositório.

Que o Museu da Nação, nascido em 1818 e falecido em 2018, possa perdoar o Brasil e os brasileiros pelo seu trágico fim.

Brasília, 03 de setembro de 2018.

Bruno da Silva Antunes de Cerqueira

Presidente

João Pedro de Saboia Bandeira de Mello Filho

Vice-Presidente

William Rezende Quintal

Secretário

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Gestor do IDII palestra na OAB-DF sobre a vida e a obra do Min. João Mendes de Almeida Junior

O Prof.  Bruno Antunes de Cerqueira participou hoje do evento “Memórias Subterrâneas: lembranças e esquecimentos na História do Brasil”, organizado pela Comissão da Memória e da Verdade da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Distrito Federal (OAB/DF).

O presidente da Comissão, Dr. Alisson Rafael Lopes, também historiador, saudou Antunes de Cerqueira e o outro membro da mesa, Prof. Paulo Parucker, consultor legislativo da Câmara do Distrito Federal e membro da Comissão da Memória e da Verdade da Universidade de Brasília (Comissão Anisio Teixeira).

Na ocasião, o gestor do IDII palestrou sobre “O percurso abolicionista, isabelista e pró-indígena de João Mendes de Almeida Junior (1856-1923)”, memorando a trajetória do jurista que dá nome ao maior fórum do País, em São Paulo. Mendes Junior foi ministro do STF entre 1916 e 1922 e é considerado um dos maiores jurisconsultos da história brasileira.

As fotos que seguem são gentileza do Dr. Carlos Inácio Prates, advogado da União e pré-candidato a deputado federal pela Rede-DF.

 

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