Tribuna de Petrópolis – Os 77 anos do Museu Imperial (artigo)

 

Os 77 anos do Museu Imperial

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Maurício Vicente Ferreira Júnior*

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O Museu Imperial comemora seus 77 anos de existência consolidando a posição de referência nacional para o estudo do período monárquico brasileiro e da cidade de Petrópolis. Essa dupla representatividade é fruto da sua própria gênese e da história da edificação que o abriga na relação com a cidade que o circunda.

Ex-aluno do educandário que ocupou o Palácio Imperial de Petrópolis entre 1909 e 1939 − o Colégio São Vicente de Paulo −, Alcindo de Azevedo Sodré foi um político e intelectual que sonhava, desde criança, transformar a residência favorita de d. Pedro II em um museu dedicado à memória do imperador. Perseverante, encontrou na estrutura do governo estado-novista do presidente Getúlio Vargas as condições necessárias para a concretização de seu projeto de vida. No entanto, o ideário de Estado do governo Vargas visava construir valores identitários para a nação, e o projeto de Sodré sofreu alterações. Assim, o conceito de sede da vilegiatura imperial precisou conviver com o de museu de história do período monárquico brasileiro. Dessa forma, a dualidade própria à criação da instituição orientou a formação de seu acervo e, consequentemente, a organização do circuito de exposição permanente. Desde a sua criação, portanto, o Museu Imperial é uma casa histórica e um museu de História, simultaneamente.

Ao longo de sete décadas, o museu reuniu mais de 300 mil itens documentais, bibliográficos e artísticos da história nacional, com ênfase no século XIX. Ao mesmo tempo, reforçou a relação com a cidade de Petrópolis ao incorporar inúmeras coleções relativas à história local, como o acervo do Museu Histórico de Petrópolis instalado no Palácio de Cristal, em 1938. Com o objetivo de universalizar o acesso aos bens sob sua guarda, o museu criou o Projeto de Digitalização do Acervo do Museu Imperial (Projeto DAMI), que disponibiliza as coleções da instituição no portal www.museuimperial.gov.br, onde já é possível consultar mais de 50 mil imagens. Já o complexo formado pelo palácio, pelos jardins e pelo acervo histórico e artístico atrai um público superior a 400 mil pessoas/ano, o que eleva o Museu Imperial à condição de mais visitada unidade pertencente ao Instituto Brasileiro de Museus do Ministério da Cultura.

Sensível às novas demandas do mundo contemporâneo, incluindo as transformações operadas no âmbito da museologia e da reflexão e prática nos museus, o Museu Imperial desenvolveu uma série de projetos em caráter permanente, como os espetáculos “Som e Luz” e “Um Sarau Imperial”. Enquanto o primeiro convida o público a uma verdadeira viagem ao período imperial com o emprego de alta tecnologia, o segundo proporciona a vivência de uma atividade de lazer comum no século XIX. Ambos os projetos alcançaram grande sucesso de público, tendo o espetáculo “Som e Luz” provocado um impacto muito positivo na economia local, especialmente nos setores de hotelaria, gastronomia e serviços.
Com a criação da Sociedade de Amigos do Museu Imperial (SAMI) – associação civil sem fins lucrativos criada há 21 anos para auxiliar o museu no desempenho de suas atribuições –, a instituição passou a contar com o prestimoso apoio de cidadãos que, de forma gratuita e graciosa, têm-se empenhado para o alcance dos objetivos institucionais do Museu Imperial.

Para além das atividades consideradas básicas de preservar, estudar e comunicar os bens sob sua responsabilidade, o museu pretende enfrentar novos desafios durante as próximas décadas, tais como expandir seu acervo, completando conjuntos que ainda necessitem de exemplares documentais, bibliográficos e objetuais e ampliar o número de visitantes, seja através da fidelização de público com a oferta de eventos, serviços e novas opções para a apropriação de suas coleções, seja através da formação de novos públicos, com a expansão dos recursos de comunicação e condições de acesso. Assim, será possível afirmar que o Museu Imperial é, de fato, um patrimônio de todos os brasileiros.

Artigo publicado em A Tribuna de Petrópolis, 29.03.2017, p. 3.

*Maurício Vicente Ferreira Júnior é
historiador, professor de História da Universidade Católica de Petrópolis, sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e diretor do Museu Imperial – Ibram – MinC.

 

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