G1 – Educação básica ainda não avançou (artigo)

Quarta-feira, 23/03/2016, às 10:14, por Andrea Ramal

Educação básica ainda não avançou

Os dados recém divulgados do Censo Escolar 2015 não são nada bons. Não houve avanço nos problemas mais graves. Analisemos os marcos de cada etapa de ensino:

– As creches atendem só 24,6% das crianças até 3 anos. A meta era no mínimo 50%.

– Na pré-escola, 600 mil crianças entre 4 e 5 anos não são atendidas. Isso fere a Constituição Federal (Artigo 7o, XXV – vigente desde 2006). Trata-se de uma etapa importantíssima no desenvolvimento infantil, com influência direta no rendimento escolar futuro, e justamente por isso era a meta 1 do Plano Nacional de Educação: “universalizar até 2016 a educação infantil na pré-escola”.

– Ao final do 3o ano do ensino fundamental, período limite para a criança de 8 anos de idade estar alfabetizada, 12,2% dos estudantes são reprovados. É onde começa a se formar a bola de neve do analfabetismo funcional.

– Quando chegam ao 5o ano do ensino fundamental, 27,5% dos alunos das escolas municipais já estão “atrasados” em relação à série que deveriam cursar com essa idade. Ou seja, foram sendo reprovados pelo caminho. Já na escola particular, a distorção idade-série quase não ocorre.

– Por fim, chega o abandono escolar: 1,6 milhão de jovens entre 15 e 17 anos estão fora da escola, quando deveriam cursar o ensino médio. É a origem da geração nem-nem: nem estudam, nem trabalham, porque o mercado não pode mais absorvê-los.

Isso sem falar na estrutura das escolas públicas: segundo o Censo do ano anterior, mais da metade não tinha rede de esgoto, quase um terço carecia de rede de água e uma a cada quatro escolas não tinha coleta de lixo. Some-se a esse contexto a baixa remuneração dos professores e a falta de condições dignas para o trabalho docente.

Parte das razões para esse cenário desastroso estão nos cortes de verba para a Educação e nos erros da gestão de estados e municípios.

Mas boa parte está, também, na falta de um especialista em gestão educacional à frente do trabalho no ministério, alguém com dedicação integral a esse trabalho, que tenha história na área para comandar uma pasta extremamente estratégica.

A Educação já teve seis ministros na era Dilma Rousseff. Se o Governo mantiver Aloísio Mercadante, que até o momento teve um papel visivelmente mais político do que técnico, então o Plano Nacional de Educação deveria passar a ser conduzido por uma equipe de especialistas. O que se vê hoje é um Governo mais focado em sua defesa nas diversas frentes de ataque político, e paralisado no que se refere às urgências educacionais. Isso é fatal para qualquer nação – ainda mais no Brasil, país com tantas carências.

Fonte: http://g1.globo.com/educacao/blog/andrea-ramal/post/educacao-basica-ainda-nao-avancou.html

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