A herdeira do Brasil e um príncipe francês se casavam 150 anos atrás

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Casamento da Princesa Imperial. Pedro Américo de Figueiredo e Mello (1843-1903). Óleo sobre tela. Acervo do Museu Imperial, Ibram, MinC.

 

Em 15 de outubro de 1864, véspera da festa de Santa Edwiges da Silésia (1174-1243), a tia de Santa Isabel da Hungria (1207-1231) e tia-avó de Santa Isabel de Portugal (1271-1336), monarcas de quem descendiam, se uniam, “pelos sagrados laços do matrimônio”, na Catedral do Rio de Janeiro — a atual Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé — os nubentes D. Isabel Christina Leopoldina Augusta Michaela Gabriela Raphaela Gonzaga e Louis Philippe Marie Ferdinand Gaston, respectivamente Princesa Imperial do Brasil e Príncipe de Bourbon-Orleans, Conde de Eu.

O consórcio foi celebrado pelo Primaz do Brasil, D. Manoel Joaquim da Silveira (1807-1875), Arcebispo Metropolitano de São Salvador da Bahia, titulado Conde de São Salvador em 1868.

Como toda festa principesca nos dias de nossa antiga Monarquia, a celebração do casamento durou dias. Realeza, clero, nobreza e povo brasileiros se uniram em regozijo pela continuidade da dinastia, vislumbrada na união de D. Isabel e seu Gaston e de D. Leopoldina (1847-1871), a filha menor de D. Pedro II e D. Thereza Christina, com seu Gusty — o Príncipe Ludwig August de Saxe-Coburgo-Gotha, Duque em Saxônia (1845-1907), conhecido na historiografia como “Duque de Saxe”. Os primos-irmãos Gaston e Ludwig August haviam chegado aos trópicos um mês antes, para desposar as filhas do Imperador do Brasil.

No dia em que se completam os 150 anos da união que, apesar das agruras da infertilidade nos primeiros dez anos, ensejou as maiores alegrias da vida da que chamamos de “Redentora”, nosso Instituto faz questão de exaltar não somente a memória de D. Isabel, como a de seu marido, o injustiçado D. Gastão — o Conde d´Eu, para a maior parte dos historiadores que, em sua maioria, conhecem pouco ou absolutamente nada sobre ele.

Desse casamento sesquicentenário, nasceram a natimorta D. Luiza Victoria (1874), D. Pedro de Alcantara (1875-1940), D. Luiz (1878-1920) e D. Antonio Gastão (1881-1918), sobre cujas vidas e obras este blog oferece pequenas contribuições, conforme indicam as tags.

Que o Brasil saiba honrar a memória de pessoas cuja motivação maior na vida foi a de servir ao País e não se servir dele. Posto que não se trate de santos — talvez excepcionando-se D. Isabel, que poderá um dia vir a ser declarada “venerável”, “bem-aventurada” e “santa”, pela Igreja que amou e venerou —, trata-se de príncipes que foram indelevelmente cultores do Brasil e de suas potencialidades. Que foram banidos de nosso território e, mesmo assim, continuaram amando, até seus dias finais, a pátria longínqua. Que jazem na França, à exceção do mais velho, na espera de que nosso País tenha a hombridade de transladar seus restos mortais.

No dia dos 150 anos do casamento da Redentora, todas as homenagens do IDII aos filhos de D. Isabel I, netos de D. Pedro II, bisnetos de D. Pedro I e trinetos de D. João VI. Os rebentos de uma linhagem que, com o suor dos africanos escravizados e o labor dos muitos “estadistas do Império”, arquitetaram, tracejaram e transformaram nossa nacionalidade, a qual só se plenificou em 13 de maio de 1888.

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