O DIA – Orgulho sem preconceito

Reportagem do jornal O DIA, do Rio de Janeiro: http://odia.ig.com.br/portal/rio/her%C3%B3is-da-vida-real-orgulho-sem-preconceito-1.513271

Heróis da Vida Real: Orgulho sem preconceito

POR FRANCISCO EDSON ALVES

Rio –  Juntas, elas venceram o preconceito. Descendente da Família Real, Maria Christina de Orleans e Bragança, de 22 anos, portadora da Síndrome de Down, e a mãe, a renomada arquiteta Stella Lutterbach Leão, 54, são símbolos da luta pela inclusão social de pessoas especiais.

Sempre com apoio de Stella, Maria Christina, ou Killy, como é chamada pela família e amigos, vem superando traumas desde a infância e, hoje, entre outras atividades, escreve livros, dá aulas de informática e artes numa creche comunitária, participa de três filmes amadores que tratam de Down e acaba de ajudar a criar o portal http://www.movimentodown.org.br.

“Eu e alguns amigos, criamos um grupo que abastece o site com dicas e informações importantes de saúde para nós, pais, professores e qualquer interessado em saber mais sobre o assunto”, explica Killy. O portal reúne organizações públicas e da sociedade civil, brasileiras e do exterior, pela inclusão em todos os espaços da sociedade.

Foto: João Laet / Agência O Dia
Quando a filha era criança, Stella sofreu a rejeição de escolas regulares. Hoje, a jovem viaja sozinha e é exemplo de vida | Foto: João Laet / Agência O Dia

Stella comemora avanços e lembra que ainda há muito o que lutar contra a discriminação. “Muitos ainda pensam que a Síndrome de Down é uma doença. Quando Kitty nasceu (fruto do casamento dela com o tataraneto de Dom Pedro II, o príncipe Dom João de Orleans e Bragança, de quem se separou há seis anos), por exemplo, havia pouca informação. Me lembro das sete escolas que a recusaram e da que pediu o afastamento dela”, recorda-se.

Ao invés de se conformar, Stella se uniu a outros pais e passou a lutar de todas as formas pela causa, participando, como membro da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, de congressos, inclusive em outros países, liderando movimentos pela cidadania e o acesso à escola regular e ao trabalho.

“Agora, nossos filhos são os protagonistas dessa bela história. Eles demonstram a todo momento que são capazes e tomam suas próprias atitudes. Kitty já até viaja sozinha. A onda da inclusão não tem volta. Daqui a alguns anos isso não precisará nem ser discutido mais”, orgulha-se.

De acordo com o último Censo, de 2010, quase 46 milhões de brasileiros, cerca de 24% da população, declararam possuir pelo menos uma deficiência nas áreas mental, motora, visual e auditiva.

Recentemente, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, garantiu que vai exigir que 100% das crianças e jovens com algum tipo de deficiência sejam matriculadas em classes regulares.

As classes especiais servirão como apoio. Segundo dados do Censo da Educação Básica, no ano 2000 apenas 21,4% das pessoas com deficiência estavam matriculadas no ensino regular público. Em 2011, saltou para 74,2%.

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