Artigo – Sete de Setembro de 1822: o dia em que nasceu o Brasil

Sete de Setembro de 1822: o dia em que nasceu o Brasil

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Carlos Roberto Bastos Pereira*

O dia 07 de setembro é uma das datas significativas da construção do patriotismo e do sentimento de orgulho para o Brasil e para os brasileiros. Porém, o comportamento de grande parte dos brasileiros atuais tem sido de algum descaso para com a efeméride. Trata-se de um processo de esquecimento e vergonha de sermos o que somos, destruindo o sentimento de patriotismo.

O 07 de setembro é a data em que se comemora[1] o dia da Independência do Brasil, que outrora era colônia de Portugal. A historiografia atual nos fornece elementos para melhor descortinar as condições e os fatores que levaram ao processo de emancipação do Brasil. Contudo, o Grito de Independência dado às margens do riacho do Ipiranga, em São Paulo, por D. Pedro, em 1822, se tornou um ato simbólico dentro deste processo. Nossa Independência Nacional, por mais sinuosa tenha sido, tornou-nos livre para criar e erguer um novo país, uma nova pátria, um novo Estado, nas Américas.

Embora seja considerado como um ato simbólico, tal atitude indicou a ruptura que se processava desde a saída da família real portuguesa do Brasil, em 1821, após a eclosão da Revolução do Porto de 1820. O gesto do então Príncipe Regente D. Pedro, no qual declarou a independência do Brasil, pode ser visto como a força do modus operandi de uma época; as estruturas mentais da sociedade se baseavam, fortemente, nas forças das palavras e ações dos homens, em virtude das reminiscências do cavalheirismo medieval e dos diversos militarismos ancestrais. Os homens buscavam cumprir com suas palavras e manter as ações de acordo com suas convicções, nas quais a ética e a moral vigentes representavam o norte.

Os príncipes e os nobres eram movidos por valores ainda bastante eivados dos ideais de virtude, honra e glória, sendo inconteste que a personalidade de D. Pedro de Bragança (1798-1834) trazia essas marcas e que sua adesão ao processo emancipatório forjado por José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838) se deveu em grande parte a esse pesanteur des origines, parafraseando o grande Marc Bloch.

De maneira que somos herdeiros dessa grande tradição de heróis nacionais e que negar isso é, por óbvio, deixar de ser Cidadãos…

Infelizmente, um dos males do Brasil republicano foi legitimar a República através do olvidamento, do desprezo e da reescrita da história de nossa Monarquia. Na didática do ensino de História, faz-se importante ressaltar a ação de pessoas que se destacaram no processo da Independência, assim como é interessante explicar os símbolos da nacionalidade. A problematização deve ser uma constante, mas a iconoclastia deve ser bem elaborada e bastante cuidadosa.

A antiga matéria da grade curricular “Educação Moral e Cívica”, tão associada à ditadura militar brasileira (1964-1985), tinha aspectos evidentemente positivos e uma nova versão desse estudo deveria ser implementada pelo Poder Público.

As datas históricas têm fundo místico; as mudanças e as permanências que elas engendram são carregadas de energias e forças. Isto não pode ser relegado.

O ser humano precisa de heróis. Eles são arquétipos. Em sua humanidade, nunca deixaram de agir por interesses, ora excelentes e santos, ora mesquinhos e diabólicos, mas deixar de valorizar sua heroicidade não ajuda em nada o processo, que deve ser cotidiano e continuado, de exercer a cidadania. De construir uma Nação includente e justa para todos.

Viva o Sete de Setembro!

Viva o Brasil!

 

* O autor é conselheiro do IDII. Graduado em História pela Univ. Cândido Mendes, é professor da Rede Pública Municipal de Ensino do Rio de Janeiro.


[1] Devemos compreender que o verdadeiro sentido da palavra “comemorar” significa colocar na memória, mesmo que de forma festiva, um fenômeno histórico.

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