Artigo – Dom Eugênio, Homem do Evangelho

Texto publicado em 14 de julho de 2012, no Jornal “O Estado do Maranhão”  de autoria do Conselheiro do IDII, João Dias Rezende Filho, seminarista da Arquidiocese de São Luís do Maranhão, bacharel em Direito, acadêmico de Teologia, pesquisador em História e Genealogia, sócio da Associação Brasileira de Pesquisadores de História e Genealogia (ASBRAP), sediada em São Paulo e sócio colaborador do Colégio Brasileiro de Genealogia (CBG), sediado no Rio de Janeiro. Dom Eugênio era sócio honorário do IDII.

O Arcebispo emérito do Rio, Cardeal D. Eugenio de Araujo Sales, em missa que antecedeu à entrega do Prêmio São Sebastião, da arquidiocese, no Palácio S. Joaquim, na Glória, zona sul do Rio de Janeiro (RJ). 03.11.2000 – Foto: Antonio Gauderio/Folha Imagem.

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A Igreja Católica perdeu um de seus mais proeminentes cardeais e o Brasil um de seus mais ilustres cidadãos. Adormeceu em Cristo, Sua Eminência Excelentíssima e Reverendíssima, o Senhor Dom Eugênio Cardeal de Araújo Sales, Arcebispo Emérito de São Sebastião do Rio de Janeiro. Foram 91 anos de intensa dedicação aos mais altos valores éticos, em prol de um Brasil melhor e da construção do Reino de Deus.

Nascido nos sertões do Rio Grande do Norte e comovido pelas dificuldades dos lavradores de seu torrão natal, o menino Eugênio pensou em ser engenheiro agrônomo. Era já o imperativo de doar-se ao próximo, de contribuir de alguma forma para minorar as dificuldades e dores inerentes à limitada condição humana. Foi Eugênio, ainda criança, com esse desejo de ajudar o homem do campo, ser interno do Colégio dos Maristas em Natal e à sombra do estandarte de Maria, vicejou a verdadeira vocação: Gastar-se e desgastar-se pelo Evangelho. Tornou-se agrônomo de homens e não de plantas, adubando a vida de milhares de pessoas com as palavras e as ações de um outro Cristo.

Daí em diante, toda vida foi devotada à Igreja, à oração e, sobretudo, à ação em favor dos marginalizados e desprezados, não poupando energias, sofrendo dores, cansaços e perseguições para anunciar com palavras e obras um mundo mais justo baseado na ética cristã. Foi um homem de fé sólida, de firmeza de caráter. Criou e fundou inúmeros movimentos e pastorais de enorme relevância para a sociedade, como, por exemplo, os primeiros sindicatos rurais do Rio Grande do Norte, certamente imbuído da mesma preocupação com o homem do campo que o inspirou em tenra idade à vocação de agrônomo, as Comunidades Eclesiais de Base, junto com seu irmão no episcopado Dom Hélder Câmara e a Campanha da Fraternidade, até hoje uma das mais importantes ações da Igreja do Brasil.

Tido como conservador, Dom Eugênio sempre transcendeu, em verdade, qualquer tipo de enquadramento. Era um homem, como já dito, de ideais firmes, de extremo rigor consigo mesmo, de vida simples, ascética, oração constante e firmeza doutrinal e litúrgica, sem jamais descuidar do ser humano, sem nada antepor a Cristo sofredor que se revela no rosto dos pobres e perseguidos da sociedade. Basta ler as notícias sobre os mais de quatro mil esquerdistas que Dom Eugênio, sem alarde, salvou na época dos governos militares.
Para nós maranhenses, interessante registrar que, quando em 1954, aos 33 anos, Dom Eugênio foi sagrado bispo, recebeu a unção episcopal das mãos de Dom José de Medeiros Delgado, então Arcebispo de São Luís do Maranhão. Levado pelo exagero da dor e da ausência física de um dos maiores bispos da História do Episcopado Brasileiro, quiçá de todo Episcopado Católico, eu quase arriscaria uma hipérbole: Dom Eugênio, católico como poucos, cardeal como nenhum. Dom Eugênio Sales cumpriu a corrida, combateu o bom combate, guardou a fé. Receba, Dom Eugênio, a tua coroa das mãos de Cristo a quem serviste sem reservas.

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