Homenagens a DOM PEDRO II em seus 180 anos de nascimento

Fotografias: Maria de Lourdes Lamonica e
Alexandre Borges de Abreu Pimenta

Juntando-nos a várias instituições de cunho cultural, enviamos por correio eletrônico a seguinte invitação:

A década de 1870 – 1880 é considerada como a do apogeu do reinado de D. Pedro II.

Depois de quase 50 anos de convulsões internas, de guerras civis, intervenções armadas no Prata, o País entrava definitivamente no regime de ordem e paz, que iria se prolongar até o fim da Monarquia. O Reinado do Imperador – diz João Ribeiro – é a pacificação. Tudo volta ao trabalho. Os campos florescem e frutificam. A política, que transbordava e alagava as terras, restringe-se, então, aos seus canais próprios. Começou, então, de novo, a alegria de viver que havia desaparecido no tumulto desordenado de quase meio século de reivindicações insólitas, absurdas e inoportunas.  Os alicerces da Nação, tão duramente abalados  nos primeiros anos do Reinado, adquiriam uma solidez que nunca haviam tido antes.

As Províncias, as mais vizinhas como as mais distantes da capital do Império, se congregavam num só pensamento e numa só aspiração em torno do Governo Central do Imperador. A unidade nacional, tantas vezes ameaçada (…) parecia agora definitivamente assegurada.

O Brasil era, realmente, uma só e única Nação —
aquela Democracia Coroada a que iria referir-se o General Bartolomé Mitre.

(Cf. ARAÚJO: João Hermes Pereira de: Palácio Itamaraty, Brasília – Rio de Janeiro: Banco Safra, 1993.)

DOM PEDRO II
Nascido no Paço Imperial da Quinta da Boa Vista,
Rio de Janeiro, a 02.12.1825.

3º filho (7º gênito) de SS.MM.II. Dom Pedro I e Dona Maria Leopoldina.
IMPERADOR DO BRASIL em 7 de abril de 1831, pela abdicação do pai.
Deposto e banido em 17 de novembro de 1889.
† Paris, França (Hotel Bedford), a 05.12.1891.

D. PEDRO II O MAGNÂNIMO FOI SUCEDIDO POR D. ISABEL I A REDENTORA,
QUE FOI IMPERATRIZ DO BRASIL,
NO EXÍLIO, DURANTE 30 ANOS (1891-1921).

CONVITE

O Presidente da Associação Internacional de Estudos Langsdorff (AIEL),
Prof. Danúzio Gil B. da Silva,

o Presidente do Círculo Monárquico D. Pedro II de Niterói (CMDPII),
Prof. Dr. Sebastião Leite Abreu Perlingeiro,

o Presidente do Colégio Brasileiro de Genealogia (CBG),
Prof. Dalmiro da Motta Buys de Barros,

o Diretor-Geral do IMPERIAL COLÉGIO D. PEDRO II (Ministério da Educação),
Prof. Wilson Choeri,

o Provedor da Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro,
Prof. Mauro Ribeiro Viegas,

o Presidente do Instituto Barão de Ayuruoca (IBA),
Prof. José Sílvio Leite Jácome,

o Presidente do Instituto Cultural D. Isabel I a Redentora (IDII),
Prof. Bruno da Silva Antunes de Cerqueira,

o Presidente do Instituto Cultural Frederico Guilherme de Albuquerque (ICFGA),
Prof. Francisco Tomasco de Albuquerque,

o Presidente do Instituto Cultural Visconde do Rio Preto (ICVRP),
Prof. Mário Pellegrini Cupello,

o Presidente do Instituto Genealógico da Bahia,
Prof. Álvaro Pinto Dantas de Carvalho Jr.,

o Presidente eleito do Instituto Histórico e Geográfico de Niterói (IHGN),
Prof. Salvador Mata e Silva,

o Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Gonçalo (IHGSG),
Prof. Marcos Vinicius Macedo Varella,

o Presidente do Instituto Interamericano de Fomento à Educação, Cultura e Ciências (IFEC) e Conselheiro Estadual de Cultura (RJ),
Prof. Raymundo Nery Stelling Jr.

têm a honra de convidar para as comemorações do
180º Aniversário de Nascimento de S.M.I. o Augusto Senhor D. PEDRO II,
que constará da seguinte programação:

1º de Dezembro (quinta-feira)
Posse da nova Diretoria do IHGN, para o biênio 2005-2007 e dos novos Sócios Efetivos, Honorários e Correspondentes
Auditório “Amaury Pereira Muniz” da Fundação Municipal de Educação
Rua Visconde de Uruguai, 414 – Centro (Jardim São João) – NITERÓI (RJ)
Palestra do Prof. Francisco Tomasco de Albuquerque sobre o Imperador

2 de Dezembro (sexta-feira)
10h – Santa Missa na Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro
Co-Celebrantes:
S.E.R. o Senhor D. José Palmeiro Mendes OSB,
Abade Emérito de N. S. do Montserrat

S.Revma. o Senhor Pe. Sérgio Costa Couto,
Capelão da Imperial Irmandade da Glória do Outeiro.

CORAL DO COLÉGIO PEDRO II

Seguem-se as fotografias do dia extremamente aprazível que se constituiu o 2 DE DEZEMBRO DE 2005.

D. Abade José Palmeiro Mendes OSB e Pe. Sérgio Costa-Couto iniciam a cerimônia, sob os olhares dos Senhores Diretores da Imperial Irmandade da Glória do Outeiro

O Presidente do IDII é convidado pelos Celebrantes a fazer a Primeira Leitura

O Abade Emérito de N. Senhora do Montserrat (Most. de São Bento – RJ) profere sua Homilia, cuja íntegra lê-se abaixo.

Homilia de D. Abade José Palmeiro Mendes, OSB

MISSA POR DOM PEDRO II

A Igreja está iniciando esta semana o Tempo do Advento, o qual possui dupla característica: é um tempo de preparação para o Natal, em que se comemora a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens, mas é também — em sua primeira parte, até 17 de dezembro — um tempo em que, por meio desta lembrança, voltam-se os corações para a expectativa da segunda vinda de Cristo no fim dos tempos. A celebração desta missa fúnebre não nos afasta da temática do Advento, ao contrário.

O pensamento da morte e o da segunda vinda de Cristo estão muito relacionados. Somos levados, por outro lado, a reafirmar nossa crença na comunhão de todos os fiéis de Cristo — dos que são peregrinos na terra, dos defuntos que estão terminando a sua purificação, dos bem-aventurados do céu. Formam todos juntos uma só Igreja, e cremos que nesta comunhão o amor misericordioso de Deus e dos seus santos está sempre à escuta das nossas orações. Como diz o Catecismo da Igreja Católica, citando a Constituição Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II, “reconhecendo cabalmente a comunhão de todo o corpo místico de Jesus Cristo, a Igreja terrestre, desde os tempos primevos da religião cristã, venerou com grande piedade a memória dos defuntos e já que é um pensamento santo e salutar rezar pelos defuntos para que sejam perdoados de seus pecados, também ofereceu sufrágios em favor deles” (CIC 958). Estas orações, especialmente a celebração da Eucaristia, não se restringem às feitas no dia da morte, no 7º e 30º dia ou no 1º aniversário de falecimento, mas pode-se rezar por um morto por muito tempo e mesmo por gerações e gerações. Só Deus sabe se uma alma pela qual se celebra a missa necessita ainda de sufrágios ou já entrou no reino da luz. Neste caso, sem dúvida, as orações irão beneficiar alguma outra alma necessitada, falecida ou ainda na terra e, como qualquer missa, é memorial da morte e ressurreição de Cristo, sendo um momento de louvor e ação de graças a Deus.

Prezados amigos: esta missa que estamos celebrando não é uma, digamos, simples missa por um defunto. Estamos rezando pela alma de D. Pedro II, Imperador do Brasil, no dia em que se comemoram 180 anos de seu nascimento, ocorrido no Palácio de São Cristóvão, aqui no Rio de Janeiro, a 2 de dezembro de 1825.

“A data de 2 de dezembro — escreveu o grande historiador João Camillo de Oliveira Torres — ocupa um lugar privilegiado no calendário cívico brasileiro, uma quase segunda data nacional, objeto de grandes festas durante largo tempo: é o dia do Imperador, natalício de D. Pedro II”.

Podemos ter a convicção de que o grande Imperador está no céu, tendo tido uma morte cristã, no meio do sofrimento de um amargo e injusto exílio, suportado com grandeza de alma. Mais ainda que a morte, teve uma vida admirável, o que não quer dizer que não tenha cometido erros e pecados, como tantos seres humanos. Rezamos, de qualquer maneira, por sua alma — que ela esteja no reino da luz e da paz — e ao mesmo tempo louvamos a Deus (Te Deum laudamus), por ter dado ao Brasil este grande Imperador, este grande governante, modelo de estadista.

O maior dos brasileiros, no dizer do Barão do Rio Branco, o Magnânimo, o rei filósofo, neto de Marco Aurélio, tantos epítetos recebeu ele. Temos dele biografias clássicas, como a de Heitor Lyra e a de Pedro Calmon, para não mencionar uma série de outras preciosas obras. O já citado mestre João Camillo observou certa vez que D. Pedro II, às vezes com sacrifício, conseguiu realizar, sempre, o ideal que a Constituição de 1824, grande monumento jurídico, e a História lhe haviam atribuído. Teve defeitos e cometeu erros — seria ridículo pensar o contrário. Era homem de seu tempo e de seu meio. Mas quase sempre os brasileiros viam nele a imagem da pátria, a consciência da permanência do Brasil. E, órfão da nação, tornado imperador numa idade em que devia ainda estar brincando, teve o exílio como paga de seus serviços.

Apoiado em leis sábias e instituições originais e magníficas , ajudado por uma plêiade de estadistas, realizou uma primeira aventura: fazer o Brasil. Certamente o Tratado de Madri conseguira derrubar a linha de Tordesilhas, D. João VI criara um governo para o Brasil (daqui a dois anos, aliás, estaremos comemorando o II centenário da chegada de D. João ao Brasil), D. Pedro I lançara as bases da nacionalidade. Mas era importante fazer com que esta enorme área, fracamente povoada, sem comunicações diretas, constituindo um arquipélago cultural altamente diversificado, se transformasse numa nação. O Pe. Antonio Feijó, quando regente, tinha a separação de várias províncias como inevitável e quando se deu a Maioridade o meu Rio Grande do Sul estava efetivamente separado.

D. Pedro II, principalmente graças ao apoio do Conselho de Estado e do Partido Conservador, conseguiu, criando a praxe de governos nacionais não regionais, ao fim de meio século de trabalho paciente, soldar o país. Havia diversificações internas sem dúvida – havia a grande mancha da escravidão. Esta, porém, metodicamente foi abolida. Conseguiu D. Pedro II ainda algo mais, isto que fez com que merecesse de sua biógrafa americana, Mary Wilhelmine Williams, o título de “educador da nação brasileira”. Conseguiu fazer com que o Império se tornasse uma democracia coroada. O regime para a mentalidade de hoje, é claro, não foi perfeito As restrições ao direito de voto soam mal, mas eram a regra da época. Contudo, houve uma luta paciente do Imperador contra a ambição dos políticos e conseguiu a vitória da Lei Saraiva. O fato é que, tentando praticar a democracia num país em que o povo era quase uma abstração, conseguiu D. Pedro II criar hábitos de respeito á lei, de amor à liberdade, de convivência política e, principalmente de moralidade administrativa.

Detenho-me aqui. Não é numa homilia que faremos, embora em grandes traços, a biografia completa do Imperador. Não posso deixar de assinalar, porém, o fato dele (como já antes seu pai, D. Pedro I) ter sido coroado — a coroação, celebrada por um bispo, é um rito sagrado, um sacramental maior da Igreja, celebrado, como é óbvio, muito raramente. Estávamos no tempo do padroado, da união da Igreja e do Estado. Na parte religiosa, sem dúvida, D. Pedro II deixou a desejar — seu papel não foi exemplar na Questão Religiosa, embora tenha depois, sem exageradas resistências, anistiado os bispos. Eu, como beneditino, não posso deixar de recordar sua falta de compreensão acerca da vida religiosa, o que fez com que nunca levantasse a legislação iníqua do fechamento de todos os noviciados, significando a morte lenta das várias Ordens (beneditinos, franciscanos, carmelitas…) em nosso país. João Camillo, que já citamos várias vezes aqui, nota, porém, com sua autoridade de grande líder católico, que D. Pedro II era católico de prática melhor do que a média dos brasileiros em seu tempo. Basta dizer-se que fazia a Páscoa, o que era realmente raro. Mas muitas de suas idéias — idéias do tempo — são estranhas para nós hoje. Quero, então, encerrar estas palavras com a edificante imagem do Imperador D. Pedro II em Mariana (MG), ajoelhado humildemente, confessando-se, por ocasião da Páscoa de 1881, com um padre negro, o futuro Arcebispo Dom Silvério Gomes Pimenta. Belíssimo exemplo de cristão.

Com sentimentos de gratidão a Deus por ter dado ao Brasil esta grande homem, prossigamos agora a Santa Missa.

Após a Missa, encontram-se no adro da Igreja a Senhorita Márcia Luciano de Souza (RJ),
a Senhora Yolanda Montenegro, o Representante do IDII em Fortaleza (CE),
Senhor Stelio Maia F. Marinho e nosso Cons.-Vice-Presidente, Dr. Bruno Hellmuth.

No Salão Nobre da Imperial Irmandade, Stelio Marinho e Bruno de Cerqueira.

No Salão Nobre, posam para uma foto final os membros do Coral do Colégio PEDRO II
com o Casal Provedor da Irmandade e a Senhora Leda Machado,
membro da Irmandade e do IDII… e egressa do PEDRO II.

O BOLO especialmente encomendado para a ocasião tinha o BRASÃO DO IMPÉRIO como ornamento…

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Abaixo, a foto da Mesa de Honra que se instalou no dia 1º de DEZEMBRO de 2005, para ouvir a palestra do Prof. Albuquerque e assistir a sua transmissão do cargo de Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Niterói ao Prof. Salvador da Mata e Silva:

Prof. Albuquerque faz sua preleção, sob a atenção do Prof. Raymundo Nery Stelling Jr., Presidente do IFEC e Conselheiro Estadual de Cultura (RJ).

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