ESPANHA e BRASIL choram a perda da Princesa Senhora D. ESPERANZA – sobrinha-neta e noreta da REDENTORA…

Faleceu em 8 de agosto de 2005, no Palácio de VILLAMANRIQUE DE LA CONDESA, na cidadezinha de Villamanrique, arredores de Sevilha (Espanha), a Sereníssima Senhora D. MARIA DE LA ESPERANZA, esposa de D. PEDRO GASTÃO (*1913), Príncipe Titular de Orleans-e-Bragança e única tia viva de S.M.C. o Augusto Senhor D. JUAN CARLOS I, Rei de Espanha.

Cerca de 2 mil pessoas acompanharam ontem, pelas ruas da cidade, os funerais daquela a quem o povo sevilhano chamava de “nossa querida Princesa”. Em Petrópolis, cidade em que D. PEDRO GASTÃO “reinou como Príncipe” durante mais de cinco décadas, a figura de D. ESPERANZA recebeu homenagens da Câmara Municipal, do Prefeito Rubens Bontempo e do representante da cidade na Assembléia Legislativa, Deputado Leandro Sampaio; todos eles enviaram condolências pessoais à Família.

Em Villamanrique, o Rei, a Rainha Senhora D. Sofía, e a filha, Infanta D. Cristina, Duquesa de Palma de Mallorca, juntamente com a irmã do Rei, Infanta D. Pilar, Duquesa de Badajoz, chegaram de manhã para o velório, que realizou-se nos últimos três dias numa câmara ardente montada na entrada do Palácio. Acompanhavam a Família Real espanhola e os Príncipes brasileiros uma enorme quantidade de autoridades de Sevilha e de Madrid, entre vereadores, prefeitos e o Governador da Andaluzia, Dr. Juan José Lopez Garzón.

Os dois filhos de D. ESPERANZA que residem em Sevilha, D. MARIA DA GLÓRIA, Duquesa consorte de Segorbe, e D. MANUEL, secundaram o pai, D. Pedro Gastão, já muito adoentado, nos últimos momentos da Princesa. Seus quatro filhos que residem em Petrópolis haviam embarcado na terça-feira para a Espanha.

Os seis irmãos (v. abaixo), todos com seus respectivos filhos – incluindo os Príncipes Petar, Filip e Aleksandar da Sérvia -, despediram-se da querida mãe e avó, na presença de um sem-número de primos das diversas Casas da Europa.

Vestida com os trajes da Irmandade do Rosário de Villamanrique – ela pertencia a inúmeras outras de mesma invocação e era devotíssima da “Virgen del Rocío” -, a Princesa foi enterrada após belíssima cerimônia celebrada por Sua Eminência o Senhor Cardeal D. Carlos Amigo Vallejo, Arcebispo de Sevilha, em que ouviu-se o Hino de Espanha e peças fúnebres clássicas.

O cortejo, aberto pela Irmandade da Santa Caridade, foi acompanhado todo o tempo pela Banda da Companhia Mista de Força da Guarnição de Sevilha e contou com a participação da Guarda Real, que levou o esquife coberto com a bandeira da Espanha, do Palácio para Igreja de Santa Maria Magdalena, na Plaza de España, no centro da cidade. Ali, na Capela do Santíssimo Sacramento, D. ESPERANZA foi enterrada, aos pés do Altíssimo que tanto adorou.

Fotografias do funeral podem ser acessadas através do seguinte endereço:

http://actualidad.terra.es/articulo/reyes_dona_esperanza_borbon_villamanrique_443791.htm

A Família Imperial na Igreja da Irmandade do Rosário dos Pretos do Rio de Janeiro, por ocasião do repatriamento dos restos mortais de D. ISABEL I e de D. GASTÃO (1953) – D. ESPERANZA é quarta da esq. p/ dir.
(Foto do Acervo Digital do IDII)

BIOGRAFIA DE DONA ESPERANZA

Sua Alteza Real a Senhora D. Maria de la ESPERANZA Amália Raniera María del Rocío Luísa Gonzaga de Borbón y Orleans nasceu em 14 de junho de 1914, em Madrid, como terceira filha de D. CARLOS (*1870 †1949), Infante de Espanha e Capitão-Geral da Província de Andaluzia, e da Infanta D. LUÍSA (*1882 †1958), nascida Princesa Louise de Orleans (Princesa de França a partir de 1883).

Seu pai (D. CARLO) era o primogênito dos Chefes da Casa Real das Duas Sicílias exilados na França, D. ALFONSO (*1841 †1934) e D. MARIA ANTONIETTA (*1851 †1939), Condes de Caserta. D. Alfonso era meio-irmão e herdeiro do último Rei das Duas Sicílias, D. FRANCESCO II (*1836 †1894), monarca destronado pelas forças revolucionárias maçônicas de Garibaldi, apoiadas pelo governo do Piemonte e Sardenha, desejoso da Unificação Italiana sob a égide dos SAVOIA (Dinastia Real piemontesa).

Os pais de D. Carlo eram primos-irmãos entre si e sobrinhos de nossa Imperatriz, D. THEREZA CHRISTINA (*1822 †1889), o que fazia dele um sobrinho da REDENTORA.

Para desposar a herdeira do trono espanhol, D. Maria de las Mercedes (*1880 †1904), D. Carlo renunciou em Cannes (dezembro de 1900), aos seus direitos hereditários à sucessão ao trono das Duas Sicílias, sendo naturalizado espanhol e titulado Infante D. CARLOS de Espanha, em 7 de fevereiro de 1901, pelo Rei, D. ALFONSO XIII (*1886 †1941), irmão de D. Mercedes ainda sem descendência naquela ocasião. Deste casamento nasceram o Infante D. ALFONSO (*1901 †1964), o Infante D. FERNANDO (*1903 †1905) e a Infanta D. ISABEL ALFONSA (*1904 †1985), Condessa Jan Zamoyski.

Em 17 de outubro de 1904, a Princesa de Astúrias faleceu em Madrid. Três anos depois, o Infante D. Carlos desposou sua prima LOUISE, filha do Príncipe Senhor PHILIPPE (*1838 †1894), Conde de Paris e Chefe da Casa Real francesa após a morte do CONDE DE CHAMBORD, em 1883, e da Princesa Senhora MARIE-ISABELLE (*1848 †1919), nascida Princesa de Orleans e Infanta de Espanha (neta materna de D. FERNANDO VII de Espanha e neta paterna de LOUIS-PHILIPPE I dos Franceses).

Em 3 de agosto de 1908, o Rei de Espanha decretou que toda a descendência do casal D. CARLOS – D. LUÍSA teria precedência e dignidade de INFANTES DE ESPANHA, sem o título. Da união nasceram D. CARLOS (*1908 †1936), morto na Guerra Civil espanhola; D. Maria de los DOLORES (*1909 †1996), Princesa Titular de Czartoriski pelo casamento; D. Maria de las MERCEDES (*1910 †2000), Condessa de Barcelona pelo casamento, no exílio, com D. JUAN (*1913 †1993) – pais do atual Soberano espanhol – e, finalmente, D. Maria de la ESPERANZA (*1914 †2005).

Em 1931, com a queda da Monarquia na Espanha, a Família Real foi exilada mas alguns militares republicanos foram ao Infante D. Carlos declarar que com a família dele nada se passaria e que permanecessem em Sevilha, se quisessem. Obviamente eles também se exilaram junto ao Rei, à Rainha (n. Princesa Victoria Eugenie de Battenberg) e aos Infantes, em Roma.

Foi na capital italiana que D. JUAN, terceiro filho e herdeiro de D. ALFONSO XIII – pois os irmãos mais velhos haviam renunciado -, desposou sua prima D. Maria de las Mercedes, tendo dela quatro filhos, nascidos no exílio: D. Maria del PILAR (*1936), D. JUAN CARLOS (*1938), D. MARGUERITA (*1939) – atual Duquesa de Soria – e D. ALFONSO (1941 †1956).

A família de D. Carlos pôde retornar a Sevilha em fins de 1937, embora a Família Real tivesse de continuar exilada. Em 28 de fevereiro de 1941, o Rei morreu em Roma. O Príncipe de Astúrias foi aclamado Rei como D. JUAN III por alguns monarquistas exilados; passou a usar o título de CONDE DE BARCELONA, pelo qual foi conhecido a vida toda.

Em 18 de dezembro de 1944, D. ESPERANZA de Borbón y Orleans foi desposada na Catedral de Nossa Senhora dos Reis, pelo primo, D. PEDRO GASTÃO de Orleans-e-Bragança e Dobrzensky-von-Dobrzenicz, Príncipe Titular e Chefe da Casa de Orleans-e-Bragança, na presença de seus pais e da mãe deste, D. ELISABETH (*1875 †1951).

O casamento reuniu uma infinidade de autoridades sevilhanas e príncipes bourbônicos, uma vez que as duas irmãs do noivo, D. ISABEL (*1911 †2003) e D. FRANCISCA (*1914 †1968), haviam se casado justamente com os primos HENRI d´Orléans et Orléans (*1909 †1999), Conde de Paris e Chefe da Casa de França e D. DUARTE de Bragança e Löwenstein-Wertheim-Rosenberg (*1907 †1976), Duque de Bragança e Chefe da Casa de Portugal…

A partir dali, a vida da Princesa dividiu-se entre os lares de Sevilha (Villamanrique de la Condesa) e Petrópolis (Palácio do Grão-Pará). D. Pedro Gastão e D. Esperanza tiveram seis filhos, todos nascidos e criados em Petrópolis, à exceção do mais velho, que nasceu no Rio:

  1. D. PEDRO de Alcantara CARLOS, nascido em 31 de outubro de 1945, marido de D. PATRÍCIA ALEXANDRA (n. Brascombe) e pai de dois filhos, D. PEDRO TIAGO (*1979) e D. FILIPE RODRIGO (*1982), Príncipes de Orleans-e-Bragança;
  2. D. MARIA DA GLÓRIA, nascida em 13 de dezembro de 1946, esposa de D. IGNÁCIO de Medina y Fernandez-de-Córdoba (*1947), Duque de Segorbe, Conde de Moriana del Rio, Grande de Espanha etc. e primeira esposa do Chefe da Casa Real da Sérvia, ALEKSANDAR II Karadjeordjevic e Schleswig-Holstein-Sondenburg-Glucksburg (*1945); mãe do Príncipe Herdeiro PETAR da Sérvia (*1980), dos Príncipes gêmeos FILIP e ALEKSANDAR da Sérvia (*1982) e de D. Maria del SOL (*1986) e D. Maria de la LUNA (*1988), (Princesas) da Casa Ducal de Medina-Celli;
  3. D. AFONSO DUARTE, nascido em 25 de abril de 1948, marido de D. SYLVIA AMÉLIA (n. Mello Franco Senna de Hungria Machado), pai de duas filhas de seu primeito casamento, com D. MARIA JUANA (n. Parejo y Gurruchaga): D. MARIA (*1974) e D. JULIA (*1977), Princesas de Orleans-e-Bragança;
  4. D. MANUEL ÁLVARO, nascido em 17 de junho de 1949, pai de dois filhos de seu casamento com D. MARGARITA (n. Haffner): D. LUÍSA CRISTINA (*1978) e D. MANUEL AFONSO (*1981), Príncipes de Orleans-e-Bragança;
  5. D. CRISTINA MARIA DO ROSÁRIO, nascida em 16 de outubro de 1950, mãe de duas filhas de seu casamento com o Príncipe polonês JAN PAWEL SAPIEHA-ROZANSKI e ZDZIECHOWSKI (*1935): ANNA THERESA (*1981) e PAOLA MARIA (*1983), Princesas da Casa de Sapieha-Rozanski;
  6. D. FRANCISCO HUMBERTO, nascido em 9 de dezembro de 1956, pai de um filho de seu primeiro casamento com D. CHRISTINA (n. Schmidt Peçanha), D. FRANCISCO THEODORO (*1979) e de dois filhos de um segundo casamento (civil), GABRIEL (*1989) e MANUELA (*1995).

Em 27 de novembro de 1975, a Princesa teve o júbilo imenso de presenciar a Restauração da Monarquia espanhola, com a ascensão ao trono de seu sobrinho D. JUAN CARLOS I e a volta definitiva do exílio de seu cunhado e sua irmã, os Condes de Barcelona.

O diário Tribuna de Petrópolis, propriedade do Príncipe D. Francisco Humberto, tem dado a devida cobertura aos acontecimentos na Espanha.

Seguem abaixo fotografias de D. ESPERANZA, disponibilizadas justamente na edição on-line da Tribuna de Petrópolis, que informou ontem que a Missa de 30º Dia será celebrada na Catedral de Petrópolis, no próximo dia 8 de setembro (quinta-feira).

A Princesa, no dia
da PRIMEIRA COMUNHÃO

O casamento de D. PEDRO e D. ESPERANZA

D. ESPERANZA e sua filhinha
D. MARIA DA GLÓRIA

D. PEDRO GASTÃO e D. ESPERANZA,
nos jardins de Villamanrique de la Condesa

Esse post foi publicado em Sem categoria e marcado . Guardar link permanente.