Morre RAINIER III, Príncipe Reinante de Mônaco e amigo do Brasil

Uma vez mais durante a semana, os Conselheiros e os Representantes do Instituto D. Isabel I se dirigem aos seus consócios e amigos para homenagear a memória de um ícone da Velha Europa que acaba de findar seus dias: RAINIER III de MÔNACO faleceu na madrugada de 6 para 7 de abril, às 6h35min do horário de Mônaco (2h35min – Brasília), em razão de infecções bronco-pulmonares e renais.

Endereçamo-nos particularmente aos filhos do defunto monarca, ALBERT II, CAROLINE e STEPHANIE, os quais, juntamente a todos os demais monegascos, ficam órfãos de um excelente pai, que foi também um Soberano exemplar.

A última fotografia oficial de RAINIER III. Foto da página oficial da Casa de Mônaco (2001)

RAINIER Louis Henri Maxence Bertrand de POLIGNAC-GRIMALDI nasceu em 31 de maio de 1923, no Palácio de Mônaco.

Era o segundo filho de CHARLOTTE (*1898 †1977), Duquesa de Valentinois – filha e herdeira do Príncipe Soberano Louis II de Mônaco (*1870 †1949) -, e de PIERRE (*1895 †1964), Príncipe Pierre de Mônaco, Duque consorte de Valentinois, por ordenança de 17 de março de 1920 – nascido Conde Pierre Marie Xavier Antoine Melchior de Polignac.

Sua irmã mais velha, a Princesa Antoinette de Mônaco (*1920), foi titulada Baronesa de Massy em 1951 e teve três casamentos, sendo viúva do último deles.

RAINIER ascendeu à condição de PRÍNCIPE HEREDITÁRIO DE MÔNACO e MARQUÊS DE BAUX quando sua mãe renunciou em seu favor, em 30 de maio de 1944, na véspera de completar 21 anos de idade.

A família paterna de RAINIER é a Casa Ducal-Principesca de CHALENÇON-POLIGNAC, que remonta ao século XI e foi praticamente “soberana” na região montanhosa de Puy-en-Velay (Auvergne), centro-sul da França. Inúmeros príncipes e condes de Polignac foram ministros e conselheiros da antiga Monarquia francesa.

A Casa de GRIMALDI, como é melhor sabido, tem suas origens na Gênova do século XII, quando OTTO CANELLA foi Cônsul titular dessa velha república aristocrática italiana. Em 1297, seu descendente FRANCESCO GRIMALDO chegou no forte em que atualmente fica Mônaco, junto com vários de sesu seguidores, que fugiam das guerras entre os Guelfos (WELFEN) e os Gibelinos. Por estarem disfarçados de monges, daí surgiu o nome do Rochedo: MÔNACO.

Os GRIMALDI, Senhores de Mônaco, foram formalmente reconhecidos como soberanos de um país independente em 1512, pelo Rei LOUIS XII de França. Adquiriram inúmeros senhorios e possessões na França e na Itália e foram feitos Pares do Reino francês por Louis XIII, em 1642.

Anos antes, o Soberano HONORÉ II (*1597 †1662) havia decretado que fosse reconhecido como PRÍNCIPE DE MÔNACO; seu reinado foi o mais longo da história monegasca até hoje (1604-1662), embora o de seu neto longínquo quase o tenha alcançado.

Em 1731, morreu ANTOINE I e o Principado foi herdado por seu genro Jacques de Goyon de Matignon, Conde de Thorigny, que era viúvo da filha mais velha e herdeira do falecido Príncipe, LOUISE HYPOLITE, a última GRIMALDI direta.

HONORÉ III reinava em Mônaco quando os revolucionários se apoderaram da França e, invadindo o Principado, destituíram a Família Reinante, que se exilou. Uma nora do Príncipe (Therèse de Choiseul-Stainville), foi guilhotinada em 1794.

Em 1814, o primeiro Tratado de Paris restabeleceu os GRIMALDI-MATIGNON, mas no ano seguinte os Príncipes de Mônaco foram submetidos à tutela do Reino de Piemonte e Sardenha, perdendo a proteção francesa.

Em 1848, os domínios da Família em Menton e Roquebrune foram invadidos e treze anos mais tarde foram finalmente anexados à França. Dos seus 24km quadrados originais, Mônaco restava agora apenas com cerca de 2km. Para empreender novos rumos econômicos capazes de dar sustentabilidade à frágil autonomia monegasca, foi criada em 1856 a SOCIEDADE DOS BANHOS DE MAR. Seis anos depois, o Príncipe Reinante CHARLES III (*1818 †1889) a vendeu ao burguês francês Louis Blanc. O empresário expandiu os negócios com cassinos e casas de shows, a ponto de estruturar toda uma nova cidade em Mônaco – MONTE-CARLO -, em torno de um cassino.

O filho e sucessor de Charles III foi ALBERT I (*1848 †1922), um célebre estudioso de oceanografia que, inclusive, fundou em Mônaco o Museu Oceanográfico. Ele foi o primeiro a incentivar as competições automobilísticas e de demais modalidades esportivas no Principado. Em 1911, ele aceitou que fosse publicada a primeira Constituição no país, restringindo parte dos poderes soberanos e criando um sistema parlamentarista no Principado.

No final da I Guerra Mundial, a França, temerosa de uma eventual extinção dos GRIMALDI-MATIGNON, firmou Tratado com Mônaco, estipulando sua anexação à República no caso de findarem os descendentes masculinos da Casa Principesca: o medo era que os príncipes alemães da Casa Ducal de Urach – ramo morganático da Casa Real de Wurtemberg – assumissem a coroa, em virtude de descenderem da Princesa Florestine de Mônaco (*1833 †1897), irmã de Charles III.

Por causa desse temor, o Príncipe Hereditário LOUIS pôde legitimar sua filha CHARLOTTE (*1898 †1977), nascida de uma união com a colona argelina Marie-Juliette Louvet (*1867 †1930). A criança foi, então, oficialmente reconhecida como Princesa Charlotte de Mônaco e quando seu pai ascendeu ao trono como LOUIS II, em 1922, tornou-se DUQUESA DE VALENTINOIS e PRINCESA HEREDITÁRIA (Princesse Héréditaire em Fr. e Erbprinzessin em Al.) – como são chamados os herdeiros dos tronos nos Principados europeus. A Princesa foi desposada pelo jovem e brilhante diplomata francês PIERRE de POLIGNAC em 1920, tendo dele dois filhos e divorciando-se em 1933 (v. acima).

Em 1949, morrendo Louis II sucedeu-o o neto, RAINIER III. Ao assumir o país, Mônaco não era extremamente levado a sério e foi necessário que o jovem monarca de 26 anos impusesse ao Principado a visão de mundo moderna que obteve através dos estudos nos colégios ingleses e suíços onde havia passado a infância e adolescência e a Faculdade de Ciências Políticas de Paris. Príncipe esportista e apaixonado por zoologia, teatro, circo e mecânica, RAINIER III dotou, aos poucos, seu “pequeno grande país” de uma infraestrutura capaz de manter a estabilidade interna e externa da Nação monegasca e, por isso mesmo, seus súditos o têm como um esplêndido Soberano.

Em 1956, fez um casamento de “contos de fada” desposando a famosa atriz hollywoodiana GRACE Patricia KELLY (*1929 †1982), proveniente de uma família católica da Filadélfia (Estados Unidos da América do Norte), de origens irlandesas e wurtemburguesas. Ela havia conhecido Mônaco numa tournée pela Europa em companhia de Gary Cooper.

A nova Princesa Consorte de Mônaco encheu de glamour e charme a legenda do principado mediterrâneo. Seu porte fino e majestoso abrilhantou a pequena Corte Principesca e atraíu a atenção do mundo ao balneário. Do feliz consórcio nasceram três filhos: a Princesa CAROLINE Louise Marguerite (*1957), o Príncipe Hereditário ALBERT Alexandre Louis Pierre (*1958) e a Princesa STÉPHANIE Marie Elisabeth (*1965).

A tragédia se abateu sobre a Família e o Povo de Mônaco em 14 de setembro de 1982, quando o carro dirigido pela Princesa Grace despencou nas colinas de Mônaco, num acidente terrível que tirou a vida da graciosa soberana e feriu gravemente a Princesa Stéphanie, que estava ao lado da mãe.

A Princesa Grace era extremamente
simpática e dedicava-se com prazer às
obras sociais e caritativas na Europa
e na América; ela estabeleceu a
FONDATION PRINCESSE GRACE DE MONACO,
de amparo aos jovens artistas, em 1964.
Foto da página oficial da Casa de Mônaco

Em 3 de outubro de 1990, uma nova morte chocou os europeus e o mundo, quando o esposo da Princesa Caroline, Senhor Stefano Pulici Casiraghi (*1960 †1990), acidentou-se letalmente num exercício de offshore; de seu casamento com a princesa, que é a primeira-dama de Mônaco desde o falecimento da mãe, o Senhor Stefano teve três filhos: Senhor ANDREA (*1984), Senhora CHARLOTTE (*1986) e Senhor PIERRE (*1987), futuros herdeiros do trono monegasco.

Foto da página oficial da Casa de Mônaco

O Instituto D. Isabel I quer, com a presente mensagem, honrar a memória de um monarca europeu que reinou ciosamente sobre um pequeno, porém promissor Estado, sabendo transmitir ao mundo uma visão administrativa fortemente conciliatória entre tradição e modernidade.

Quando esteve no Brasil em 1992, por ocasião da ECO-92, RAINIER III de Mônaco pôde ainda se inteirar das dificuldades financeiras e materiais de nossas instituições de serviço social e providenciou a doação de um imóvel em Niterói (RJ) para a ONG católica Associação São Martinho, que cuida de menores carentes do Estado do Rio de Janeiro.

Era um amigo e admirador sincero de nosso País e, tanto ele próprio quanto os membros de sua Família, dedicaram especial calor humano ao nosso heróico representante nos Grandes Prêmios de Fórmula 1 do Principado, o pranteado Ayrton Senna (*1967 †1994).

A última Festa Nacional de que participou RAINIER III
foi em 19 de novembro de 2003; com seus filhos
CAROLINE, ALBERT e STEPHANIE, o mais
antigo Chefe de Estado europeu saúda seus
compatriotas no balcão do Palácio Principesco.
Foto da página oficial da Casa de Mônaco

Ao novo Príncipe Reinante ALBERT II, suas irmãs e sobrinhos, bem como ao alteroso povo monegasco, enviamos nossas condolências, impregnadas de amizade sincera e solidariedade incondicional.

Prof. Otto de Alencar de Sá-Pereira – Presidente

Prof. Gastão Reis Rodrigues-Pereira – Vice-Presidente

Profª. Lêda Machado – Vice-Pres. de Operações

Prof. Bruno da Silva A. de Cerqueira – Secretário

Profª. Maria de Lourdes Lamonica, Profª. Giselle Marques Câmara,
Dr. Juarez do Nascimento Fernandes de Távora,
Dr. Bruno Hellmuth, João Capistrano do Amaral Neto, Vanderli Teixeira – Conselheiros

Dr. Roberto Mäder Nobre Machado – Representante do IDII em Brasília (DF)

Dr. Laerte Lucas Zanetti – Representante do IDII em São Paulo (SP)

Dr. Caio César Tourinho-Marques, Visconde de Tourinho – Representante do IDII em Salvador (BA)

Jailson Santana da Silva – Representante do IDII em Recife e Igarassu (PE)

Francisco Anderson Tavares – Representante do IDII em Natal e Macaíba (RN)

Dr. Stelio Maia Ferreira Marinho – Representante do IDII em Fortaleza (CE)

Antonio Rafael Silva Filho – Representante do IDII em Vitória (ES)

Prof. Adenauer Melo de Oliveira – Representante do IDII em Palmas (TO)

Prof. Bernardo Eugenio Baethgen Montenegro – Representante do IDII em Araraquara (SP)

Dr. Jorge José Bittal Al-Sheik – Representante do IDII em São José do Rio Preto (SP)

Bruno de Oliveira Barbozza – Representante do IDII em Pelotas e Pedro Osório (RS)

Victor Antonio Venquiaruti – Representante do IDII em Santa Maria (RS)

Antonio Aprígio Pereira – Representante do IDII em Sumé (PB)

Heitor Abdalla Buchaul – Representante do IDII em Santa Maria Magdalena (RJ)

Marcelo de Souza e Silva – Representante do IDII em Guanhães (MG)

Luís Severiano Soares Rodrigues – Representante do IDII em Mesquita (RJ)

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