Morre JOÃO PAULO II – o PAPA DA PAZ

O Conselho de Administração do IDII vem a público afirmar sua solidariedade aos milhões de fiéis católicos espalhados pelo mundo inteiro, no momento de dor e pesar que ora sofrem, pelo anúncio oficial do falecimento de Sua Santidade o Papa JOÃO PAULO II, que ocorreu hoje, às 16h37min (21h37min no Vaticano), durante as celebrações da Festa da Divina Misericórdia.

O Papa descansou após uma agonia nos dois últimos dias. O Vigário Papal para a Diocese de Roma, Cardeal CAMILLO RUINI, acabou de anunciar a morte do Santo Padre a uma massa de 60 mil pessoas na Praça de São Pedro. Em seguida, o ex-Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal ANGELO SODANO, entoou o “DE PROFONDIS”, cântico fúnebre latino.

O Papa, na época de sua primeira vinda ao Brasil (1980)

KAROL Josef WOJTYLA nasceu em 18 de maio de 1920, em Wadowice, pequena cidade de 8 mil católicos e 2 mil judeus ao sul da Polônia, como segundo filho do Senhor Tenente Karol Wojtyla e da Senhora (nascida Emilia Kaczorowska).

Seu apelido de infância era LOLEK. Aos 9 anos de idade, ficou órfão de mãe, quando a Profª. Emilia Wojtyla faleceu de problemas de coração. Três anos depois, foi a vez de seu irmão mais velho partir: com apenas 26 anos, o jovem médico Dr. Edmund Wojtyla morreu em virtude de uma escarlatina, deixando seu pai e irmão como únicos membros daquela geração da pequena e humilde família polonesa.

Sua infância e juventude não foram, portanto, de muita felicidade. Com a invasão da Polônia pelas tropas alemães, em 1939, ele escapou do aprisionamento se empregando como um operário de pedreiras. Nesta época de ocupação nazista, aproximou-se ainda mais de sua Fé religiosa e passou a atuar tanto em grupos de arte, quanto a freqüentar mais assiduamente as reuniões filosóficas e teológicas das igrejas de Cracóvia, sobretudo após a morte de seu pai, em fevereiro de 1941.

Foi ordenado SACERDOTE pelo então Arcebispo-Príncipe e Metropolita de Cracóvia, Cardeal Adam Sapieha (*1867 †1951). O Cardeal era príncipe polonês por nascimento, membro da Casa de Sapieha-Kodensky, cujo ramo primogênito (SAPIEHA-ROZANSKY) é relativamente familiar aos brasileiros, uma vez que um de seus príncipes desposou uma bisneta de D. Isabel a Redentora em 1981 – casamento de Jan-Pawel Sapieha-Rozansky (*1935) e D. Cristina Maria do Rosário de Orleans-e-Bragança (*1950).

Em 4 de julho de 1958, KAROL WOJTYLA foi nomeado Bispo Titular de Ombi por S.S. o Papa Pio XII, para atuar como Auxiliar de Cracóvia, tendo sido sagrado na Catedral de Wawel, em 28 de setembro do mesmo ano, pelas mãos de Monsenhor Eugeniusz Baziak, Arcebispo de Leopolis e então Administrador Apostólico da Arquidiocese de Cracóvia. Ele foi elevado à dignidade arquiepiscopal pelo Papa Paulo VI em 1964, tomando posse da Sé de Cracóvia em 13 de janeiro desse ano. Três anos mais tarde, o Soberano Pontífice nomeou-o CARDEAL no Consistório de 26 de junho de 1967.

Durante todos os anos que se seguiram à II Guerra Mundial, o Bispo e depois Cardeal Wojtyla teve de conviver com as opressões do regime comunista estabelecido em Varsóvia. Mesmo agindo estritamente por vias diplomáticas, o prelado foi um opositor contumaz da ditadura polonesa.

Durante o CONCÍLIO VATICANO II, que renovou os ares e “retirou a poeira dos Césares da Cúria Romana” – palavras do Bem-Aventurado João XXIII -, KAROL WOJTYLA foi um dos mais atuantes teólogos.

Por fim, acompanhou a doença e morte do Papa PAULO VI e a eleição do Cardeal ALBINO LUCIANI, como Papa JOÃO PAULO I, todos fatos passados em 1978.

O pontificado de 33 dias de João Paulo I deu lugar a novo Conclave e desta feita o Sacro Colégio Cardinalício elegeu o primeiro não-italiano em quase 500 anos: desde a morte do 217º Papa (1523), ADRIANO VI, que era neerlandês, somente italianos haviam sucedido no Trono de São Pedro.

Em 16 de outubro de 1978, o novo Papa JOÃO PAULO II foi apresentado à multidão na Praça de São Pedro e deu a bênção URBI ET ORBE (para Roma e o Mundo). Seis dias depois, ele foi solenemente entronizado como ducentésimo-sexagésimo-terceiro Bispo de Roma, Vigário de Jesus Cristo, Supremo Pontífice da Igreja Universal, Patriarca do Ocidente, Primaz da Itália, Arcebispo e Metropolita da Província Romana, Servo dos Servos de Deus e 262º Sucessor do Príncipe dos Apóstolos. Enquanto monarca, o Papa é também Soberano do Estado da Cidade do Vaticano.

Em seu longo reinado, o Papa JOÃO PAULO II administrou a Igreja com firmeza e perseverança; durante esses 26 anos que presentemente se findaram com seu reencontro com a SANTÍSSIMA TRINDADE, ele se tornou, provavalemente, o mais popular Pontífice Romano de todos os tempos. A comunicabilidade que demonstrava com todos os seres humanos, sobretudo com os jovens, foi uma das mais importantes facetas de sua personalidade que realçava seu pontificado.

Primeiro Papa polonês da História e único religioso eslavo a ascender a essa função até os dias de hoje, KAROL WOJTYLA realizou 104 viagens aos quatro cantos do mundo, visitando oficialmente 129 países, excetuando-se as 146 vezes que visitou as paróquias e dioceses da Itália, saindo dos domínios vaticanos. Foi responsável pela publicação de 14 Encíclicas, 14 Exortações Apostólicas, 11 Constituições Apostólicas, 45 Cartas Apostólicas e 30 Cartas de Motto Proprio; realizou 1338 beatificações e 482 canonizações. O Papa também publicou cinco livros: «Cruzando o limiar da esperança» (outubro de 1994); «Dom e mistério: no qüinquagésimo aniversário de minha ordenação sacerdotal» (novembro de 1996); «Tríptico romano – Meditações», livro de poesias (Março de 2003); «Levantai-vos! Vamos!» (maio de 2004) e «Memória e identidade» (fevereiro de 2005).

Sofreu com resignação uma terceira idade complicada, em grande parte, pelas conseqüências do atentado de 13 de maio de 1981, quando o turco Ali Agka o atingiu com dois tiros – um na mão e outro no estômago – e deu provas de incansável missionarismo, continuando a viajar pelo mundo inteiro, mesmo após o diagnóstico médico de mal de Parkinson, no final da década de 90.

Enfático ecumenista, dedicou-se com carinho aos diálogos com os líderes religiosos do mundo inteiro, mormente com os cristãos ortodoxos e protestantes; foi, contudo, um líder católico favorável a alguns tradicionalismos considerados anacrônicos por historiadores e cientistas sociais.

Foi um dos mais ardorosos líderes mundiais que levantou sempre a bandeira da PAZ: além de empenhar-se no combate à violência contra crianças, mulheres e representantes de minorias étnicas, fez inúmeras investidas diplomáticas no sentido de reconciliar cristãos, muçulmanos e judeus. Segundo JOÃO PAULO II, nenhuma guerra poderia ser tida como lícita, justa e, muito menos, “santa”. Neste sentido, foi o Papa do Perdão, aquele que tornou público ao mundo inteiro o pedido de desculpas da Igreja Católica às demais Igrejas Cristãs pelos pecados de perseguição. Aos islamitas e israelitas dirigiu especiais mensagens de desculpas pelas guerras e matanças nas quais se envolveram nossos antepassados e os deles.

À luz da História, deverá ser considerado conservador em questões políticas e até reacionário em algumas questões morais. Tendo se posicionado como anti-comunista ferrenho, chegou a ser tido como um dos principais articuladores da gradual extinção do socialismo no Leste Europeu, a começar por sua Polônia natal.

Em nosso País, o Santo Padre esteve em quatro diferentes ocasiões. Fomos o segundo país latino-americano mais visitado por JOÃO PAULO II: o primeiro foi o México, que contou com cinco visitas. Aqui, ele era calorosamente recebido pelo povo, que cantava músicas em sua homenagem e o saudava com um entusiasmo bem BRASILEIRO.

Em 1980, o Sumo Pontífice permaneceu doze dias no Brasil, visitando 13 cidades, começando por Brasília, onde se reuniu com sacerdotes da cidade e com o então Presidente da República, General João Batista Figueiredo, passando pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Aparecida do Norte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Belém, Fortaleza, Belo Horizonte e Manaus, de onde embarcou de volta a Roma.

Em 1982, ele nos visitou por dois dias e em 1991 retornou ao País, fazendo um tour pelas capitais de nossos Estados mais pobres. Finalmente, aqui voltou em 1998, por ocasião do II Encontro Mundial do Papa com as Famílias, onde ele fez a seguinte admoestação aos fiéis: «Hoje, mais do que nunca, é vosso dever proclamar com vosso modo de viver, a beleza e a grandeza do autêntico amor. Alcançando no sacramento do matrimônio o mistério do amor de Cristo e da Igreja, fazeis resplandecer em vós a luz do Evangelho, em que está a salvação do mundo». Neste Encontro Munidal, ocorrido no Rio de Janeiro, o Papa chegou a declarar que “Se Deus é brasileiro, o Papa é carioca!”

O mesmo Rio de Janeiro que se encontra na atual tristíssima situação de viver em clima de guerra civil, chocado com uma chacina de 30 pobres inocentes na Baixada Fluminense, deseja permanecer na Fé e Esperança que JOÃO PAULO II encarnou tão bem.

Imagem do Papa, no final da década de 1990

Neste momento de dor, mas também de jubilosa esperança, enviamos ao Representante da Santa Sé no Brasil, o Excelentíssimo Reverendíssimo Senhor Arcebispo Núncio Apostólico D. Lorenzo Baldisseri, nossas mais profundas condolências pelo desaparecimento de JOÃO PAULO II, solicitando ao ínclito prelado que faça chegar ao conhecimento do Cardeal Camerlengo e das demais autoridades vaticanas a profunda reverência do Povo e das Instituições do Brasil pela bem-aventurada figura de KAROL JOSEF WOJTYLA – o PAPA DA PAZ.

Prof. Otto de Alencar de Sá-Pereira – Presidente

Prof. Gastão Reis Rodrigues-Pereira – Vice-Presidente

Profª. Lêda Machado – Vice-Pres. de Operações

Prof. Bruno da Silva A. de Cerqueira – Secretário

Profª. Maria de Lourdes Lamonica, Profª. Giselle Marques Câmara,
Dr. Juarez do Nascimento Fernandes de Távora,
Dr. Bruno Hellmuth, João Capistrano do Amaral Neto, Vanderli Teixeira – Conselheiros

Dr. Roberto Mäder Nobre Machado – Representante do IDII em Brasília (DF)

Dr. Laerte Lucas Zanetti – Representante do IDII em São Paulo (SP)

Dr. Caio César Tourinho-Marques, Visconde de Tourinho – Representante do IDII em Salvador (BA)

Jailson Santana da Silva – Representante do IDII em Recife e Igarassu (PE)

Francisco Anderson Tavares – Representante do IDII em Natal e Macaíba (RN)

Dr. Stelio Maia Ferreira Marinho – Representante do IDII em Fortaleza (CE)

Antonio Rafael Silva Filho – Representante do IDII em Vitória (ES)

Prof. Adenauer Melo de Oliveira – Representante do IDII em Palmas (TO)

Prof. Bernardo Eugenio Baethgen Montenegro – Representante do IDII em Araraquara (SP)

Dr. Jorge José Bittal Al-Sheik – Representante do IDII em São José do Rio Preto (SP)

Bruno de Oliveira Barbozza – Representante do IDII em Pelotas e Pedro Osório (RS)

Victor Antonio Venquiaruti – Representante do IDII em Santa Maria (RS)

Antonio Aprígio Pereira – Representante do IDII em Sumé (PB)

Heitor Abdalla Buchaul – Representante do IDII em Santa Maria Magdalena (RJ)

Marcelo de Souza e Silva – Representante do IDII em Guanhães (MG)

Luís Severiano Soares Rodrigues – Representante do IDII em Mesquita (RJ)

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