Pêsames pelo falecimento da Grã-Duquesa Josephine Charlotte de Luxemburgo

O IDII cumpre o doloroso dever de informar o falecimento de S.A.R. a Grã-Duquesa Mãe de Luxemburgo, ocorrido ontem de manhã, no Castelo de Fischbach (Luxemburgo), após anos de tratamento contra um câncer de pulmão.

A Grã-Duquesa Josephine Charlotte era tetraneta de D. João VI, pois sua avó, a Rainha Consorte Elisabeth dos Belgas (*1876 †1965), era uma neta de D. Miguel I de Portugal e sobrinha-neta de D. Pedro I do Brasil.

Uma das últimas fotos oficiais do Casal Grão-Ducal (1997)
Foto: Serv. de Inf. e Imprensa de Luxemburgo

Joséphine Charlotte Ingeborg Elisabeth Marie José Marguerite Astrid de Saxe-Cobourg-Gotha et Bernadotte, Princesa da Bélgica, Princesa de Saxe-Coburgo-Gotha e Duquesa em Saxônia, nasceu em 11 de outubro de 1927, no Palácio Real de Bruxelas, como primogênita dos herdeiros do trono, os Duques de Brabante.

Sua mãe foi a célebre Rainha Astrid (*1905†1935), amada pelos belgas desde sua chegada ao país em 1926, quando deixou a Suécia natal para ser desposada pelo jovem Príncipe Herdeiro Leopold, que reinaria no futuro como Leopold III. Mais dois filhos nasceram dessa feliz união de um príncipe católico com uma princesa luterana: BAUDOUIN, que seria o futuro Rei Baudouin I (*1930 †1993) e ALBERT (*1934), que é o atual Rei Albert II dos Belgas.

Em 1934, o “Rei Cavaleiro”, o grande general Albert I dos Belgas, morreu num acidente de montanhismo; seu filho sucedeu-o. No ano seguinte, a Família Real e todos os belgas sofreram um novo e duro golpe, quando um acidente de carro na Suíça matou a jovem e belíssima Rainha Astrid e feriu o Rei Leopold III. A Princesa Josephine Charlotte tinha então 7 anos e se viu obrigada a amparar os irmãos menores, tendo o caçula apenas 1 ano.

Leopold e Astrid com o bebê BAUDOUIN em 1930;
Josephine Charlotte está “pendurada” no pai.
Foto: INBEL

Em 1940, as tropas alemães invadem a Bélgica, mas o Rei decide permanecer no País, o que ocasionará problemas no futuro de seu reinado. Os nazistas deportam a Família Real belga em 1944, primeiro para a Alemanha e depois Áustria. Os Aliados libertam a família em maio de 1945 e eles vão para a Suíça, em Prégny, onde os principezinhos estudam; nesta época, Josephine Charlotte estuda um pouco de Pedagogia na Universidade de Genebra, com o Professor Piaget.

Em 1950, a Família Real volta para a Bélgica, após um acerto entre o Governo e o Rei, que decide abdicar do trono em favor do filho, que se torna o Rei Baudouin I no ano seguinte. Dois anos depois, a Princesa Josephine Charlotte, já ativa primeira-dama belga no campo social, é pedida em casamento pelo primo JEAN (*1921), Grão-Duque Hereditário de Luxemburgo, filho de sua madrinha, a longeva Grã-Duquesa reinante Charlotte I (*1896 †1985).

O LUXEMBURGO é o pequeno e charmoso estado vizinho da Bélgica e da Holanda (oficialmente, Países Baixos). As três nações compõem o BENELUX, tratado aduaneiro que data da década de 1940.

O Grão-Ducado tem 2600 km2 e se constitui num antigo feudo europeu do séc. X; sua população gira em torno de 400 mil pessoas.

O casamento de Josephine Charlotte com Jean, em 1953, reforçou ainda mais os laços entre as Casas Reinantes do BENELUX, pois a neerlandesa era Oranien-Nassau, enquanto a luxemburguesa era Nassau-Weilbourg, ambas atualmente acrescidas de outros nomes dinásticos – e sendo assim, os jovens noivos aproximaram os NASSAU dos SAXE-COBOURG (Casa da Bélgica).

Em 1964, com a abdicação de Charlotte I, o Grão-Duque Jean passou a reinar, tendo ao seu lado a Grã-Duquesa Josephine Charlotte, que desde então assumiu a presidência da Cruz Vermelha no país. Eles fizeram inúmeras visitas de caráter oficial ao Exterior; ao Brasil, vieram em 1965.

Eles tiveram cinco filhos: MARIE-ASTRID (*1954); HENRI (*1955), que é o atual Grão-Duque desde 2000; os gêmeos JEAN e MARGARETHA (*1957) e GUILLAUME (*1963).

A todos os filhos e netos dessa que foi uma das mais exemplares e elegantes soberanas européias do séc. XX, o Conselho de Administração do Instituto D. Isabel I gostaria de expressar seus mais sinceros pêsames pelo ocorrido.

Particularmente expressamos ao Grão-Duque resignatário Jean e ao Grão-Duque reinante Henri, os nossos profundos sentimentos pela perda de dama tão incomparável. Fazemos nossas as palavras do Primeiro-Ministro Jean-Claude Juncker e demais membros do Governo Luxemburguês:

Sua paixão pela arte e seu engajamento no serviço dos outros desenham os contornos de uma pesonalidade particularmente rica e acolhedora. O interesse de Sua Alteza Real por aqueles que estão entre os mais frágeis em nossa sociedade foi uma constante em sua ação. Assim, tanto no nível de seus estudos como nas funções que ela teve de assumir mais tarde como Presidente da Cruz Vermelha luxemburguesa e como Chefe-Guia do Mouvement Guide do Grão-Ducado, ela se dedicou aos problemas da infância, da família e da saúde. Sua memória estará gravada para sempre em nossos corações e mentes.

Declaração do Governo – Cidade de Luxemburgo, 10.01.2005

Os brasileiros nos juntamos aos representantes diplomáticos belgas e luxemburgueses neste momento de dor, rezando para que suas Famílias Reinantes sejam reconfortadas pelo Amor de Deus e da Santíssima Virgem.

Dirigimo-nos também, de modo especial, como não poderia deixar de ser, aos dois sobrinhos da finada Grã-Duquesa que desposaram os Príncipes D. Antonio João e D. Eleonora do Brasil – bisnetos da REDENTORA: a Princesa D. Christine, residente em Petrópolis, e o Príncipe Hereditário Michel de Ligne, no Castelo de Beloeil, e os respectivos filhos. Estejam certos, Altezas, de que sua tia e tia-avó está entre os Anjos e os Santos, na Glória de Deus Todo-Poderoso.

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