Começa o resgate do Brasil: populares e Deputados homenageiam descendentes da REDENTORA e dos GRANDES ABOLICIONISTAS

As solenidades comemorativas dos 116 anos da LEI ÁUREA revestiram-se de brilho singular em 2004.

O Baile do Cordão do Bola Preta

Em 12 de Maio (quarta-feira), os Conselheiros Prof. Otto de Sá-Pereira e Prof. Bruno de Cerqueira, acompanhados dos Sócios Dr. Antonio Gameiro e Prof. Alexandre Carneiro de Mendonça, compareceram ao II Baile dos Pretos Velhos e da Princesa Isabel, que se deu no Cordão do Bola Preta, tradicional agremiação sambística carioca, atendendo ao convite da Senhora Presidente da Casa dos Artistas Plásticos Afro-Brasileiros (CAPA), Anna Davies.

Após a encenação de uma valsa dançada por D. Isabel a Redentora (interpretada pela atriz Sandra Barsotti) e André Rebouças (interpretado pelo ator Marquinhos Copacabana), o Prof. Bruno participou a todos os presentes sobre as festas do dia seguinte, convidando a todos que aderissem às comemorações.

A seguir, a Senhora Anna Davies homenageou benfeitores da 3ª idade, tanto pessoas idosas quanto jovens; receberam os Diplomas de Sabedoria Nelson Mandela a Senhora Ana Maria Rebouças; a atriz Senhora Ruth de Souza; a Senhora Silvia Dutra Tinoco, do Apostolado da Oração do Rio; o Dr. Plínio Sales, mecenas de pintores afro-brasileiros; a Senhora Carmen Luz, Diretora do Centro Cultural Municipal José Bonifácio; Pai Santana, Vice-Presidente do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro; o Presidente e o Secretário do IDII; os atores que representaram a valsa e várias outras personalidades do universo cultural afro-brasileiro.

Homenagem à Redentora em seu Monumento no Leme

Na parte da manhã do 13 DE MAIO, fez-se singela homenagem à Redentora em torno de seu monumento no bairro do Leme, zona sul do Rio.

Alunos de primeiro grau da Escola Municipal Santo Thomaz de Aquino
homenageararam a REDENTORA, visitando seu monumento no Leme.
Foto Ronaldo Holtz

As crianças abraçam simbolicamente o monumento de
D. Isabel, que tem um belo arranjo de camélias depositado aos seus pés.
Foto Denise Machado

As crianças posam atrás do monumento,
onde vê-se as Armas do Império do Brasil.
Foto Denise Machado

A Juíza de Nossa Senhora do Rosário, Mary Isabel Pereira,
beija o Estandarte da HERDEIROS DA VILA,
sendo seguida pelo Prof. Bruno de Cerqueira.
Foto Ronaldo Holtz

O casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira da HERDEIROS DA VILA,
Henrique e Joselaine, posa em frente à estátua da Princesa
que dá nome ao bairro de onde provém.
Foto Ronaldo Holtz

Da esq. p/ a dir. posam:
Provedor Carlos Alberto Guimarães; Conselheira Lêda Machado;
Provedora Mary Isabel Pereira e Mesário Paulo Paschoa.
Foto Ronaldo Holtz

A dança de Henrique e Joselaine de Vila Isabel,
em homenagem ao 13 DE MAIO.
Foto Denise Machado

A Cons. Lêda Machado (3ª da dir. p/ esq.) posa junto à
equipe do supermercado PÃO DE AÇÚCAR que doou o
lanche para as crianças da HERDEIROS DA VILA.
O Presidente da Escola, Marcos de Souza (“Peri”), é o 4º da esq. p/ a dir.
Foto Denise Machado

Ao término da homenagem matinal à REDENTORA, todos os representantes
das instituições reúnem-se, comprazidos, para a fotografia final.
Foto Ronaldo Holtz

A Santa Missa

Às 17 horas, teve lugar a tradicional Missa Solene comemorativa, na Igreja da Imperial Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, no Centro do Rio – mesmo local onde se desenvolveriam os demais eventos do dia.

Celebrou o Ofício S.E.R. o Senhor Abade Emérito de São Bento do Rio de Janeiro, D. Abade José Palmeiro Mendes OSB; co-celebraram SS.Revmas. os Senhores Pe. José Delfino de Araújo (Reitor da Igreja), Mons. João Victoriano Barreto de Alencar, Pe. Eugênio de Souza Monteiro (Vigário de Nossa Senhora da Conceição – Santa Cruz) e Pe. Frei Athaylton Belo OFM (Vigário de São João Batista de Meriti).

Tendo chegado à Igreja como representante oficial de S.E. o Senhor General-de-Exército Manoel Valdevez Castro, Comandante Militar do Leste, o Senhor Capelão do Comando, Tenente-Coronel Pe. Lindenberg Moniz, foi ele também convidado a co-celebrar com D. Abade José, o que muito alegrou a todos.

A Senhora Princesa D. Antonio do Brasil
(nascida Princesa Christine de Ligne – Bélgica), entra na Igreja.
A Guarda de Honra do Batalhão do Imperador presta-lhe continência.
Foto Ronaldo Holtz

A Procissão de Entrada é iniciada, tendo à frente os Senhores Diretores
da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito e seus Estandartes.
Foto Ronaldo Holtz

Ao término da Procissão de Entrada,
o Provedor e o Vice-Provedor da Imperial Irmandade
são seguidos pelos Reverendíssimos Clérigos.
Foto Ronaldo Holtz

Durante a Procissão do Ofertório, o Irmão Ubirajara Coelho e a
Irmã Edna Arruda levam ao Altar as espécies que se tornarão
CORPO E SANGUE DE CRISTO.
Foto Ronaldo Holtz

D. Abade José recebe de uma reverente Irmã a cesta de pães do Ofertório.
Foto Ronaldo Holtz

D. Abade José lembrou em sua homilia do Mistério da Iniqüidade no crepúsculo histórico da Monarquia brasileira em 1889. Após exaltar a fidelidade dos irmãos negros do Rosário e São Benedito à memória da REDENTORA e a correspondente atitude fidalga do atual Chefe da Casa Imperial do Brasil, Príncipe Senhor D. Luiz, de ter conferido o qualificativo de IMPERIAL à Irmandade em 1996, o Abade passou à apreciação da LEI ÁUREA, declarando:

Este é um momento de ação de graças por esta lei tão importante em nossa História e também de recordação deste grande movimento social e popular, que veio corrigir uma grande mancha que existia em nosso país. É também um momento de renovar com maior empenho nossos propósitos de justiça social e de propugnar por justas medidas em pról dos descendentes dos antigos escravos, num clima de harmonia de todas as raças que compõem o povo brasileiro. E não esqueçamos a importância também da necessidade da evangelização e da catequese dos mesmos descendentes dos antigos escravos.

A seguir, D. Abade José referiu-se à longa gesta da Igreja, através do magistério de vários Papas, Santos e Doutores, sempre condenando a escravidão, instituição demasiadamente anti-cristã. Concluindo, Sua Excelência se referiu à triste saga de D. Isabel I a Redentora, mas também ao futuro de esperança do Brasil:

Enfim, um aniversário da Lei que aboliu a escravatura no Brasil é uma ocasião de lembrarmos com gratidão a Princesa Dona Isabel, a justo título cognominada A Redentora – primeira mulher a governar um país do Continente americano – e que agiu fortemente em prol da abolição impelida por seus sentimentos profundamente cristãos. O Pe. Leme Lopes a chamou de A Católica. Curiosa, paradoxal situação, em que não sei se não podemos sentir mesmo, em última análise, a presença do demônio. Louvada e aplaudida por todos em 1888, Dona Isabel foi no ano seguinte deposta e exilada com seu pai, Dom Pedro II e toda a sua família.

Um dos argumentos para a proclamação da república era o perigo de um Terceiro Reinado, tendo à frente uma devota Imperatriz. Esta ficou impedida de dar tudo o que poderia a seu país, inclusive medidas concretas em favor dos antigos escravos. Hoje recordamos com gratidão também quatro grandes abolicionistas: André Rebouças, Senador Dantas, Conselheiro João Alfredo e Joaquim Nabuco, todos vultos exponenciais de nossa História, que vão receber os títulos de Beneméritos do Estado do Rio de Janeiro, que vem de lhes ser concedido pela Assembléia Legislativa do Estado, que irá também homenagear Dona Isabel de Orleans e Bragança, bisneta e homônima da Redentora, com o titulo de Cidadã do Estado do Rio de Janeiro.

Prezados irmãos, não estamos aqui na Igreja da Imperial Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos numa simples comemoração de uma data histórica. Este é um encontro de oração, que envolve a lembrança do passado, a constatação do presente com suas luzes e sombras e a esperança do futuro.Estamos celebrando esta Eucaristia usando o formulário da Missa Pelo Progresso dos Povos, uma das Missas Para Diversas Circunstâncias. Pareceu-me tal formulário muito apropriado. Especialmente a oração da coleta, cuja fonte é a Constituição Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II (n 69). Ela é muito rica de conteúdo e bem expressa nossos sentimentos. Lembramos de início que Deus deu uma só origem a todas as nações e quis congregá-las numa só família. Indiretamente se afirma que todos os homens são iguais, independentemente da raça. E se pertencemos a mesma família, todos somos irmäos. Depois se pede que Deus acenda no coração de todos o ardor da caridade e o sincero desejo de um justo progresso (depois da comunhão vai se pedir um amor puro e operante). Sim, o amor, a caridade é a base para o trabalho ainda necessário visando a plena realização humana e a evangelização dos descendentes dos antigos escravos. Pede-se, enfim, que os bens que Deus concede a todos sirvam à promoção de cada um e, cessada toda discórdia, a equidade e a justiça se firmem na sociedade humana. É todo um programa para nós, católicos, para nós cristãos e também homens de boa vontade visando a realização da justiça social.

Que o Senhor ajude o Brasil, país multirracial, fortaleça a todos nós em nossos bons propósitos de uma sociedade mais justa, fraterna, cristã, onde haja lugar para todos.

Amém.

Durante a homilia, o Senhor Abade Emérito de São Bento do Rio de Janeiro
ladeado dos demais Sacerdotes: da esq. p/ dir.:
Pe. Delfino, Pe. Eugênio, Pe. Lindenberg e Pe. Frei Athaylton.
Foto Ronaldo Holtz

As descendentes dos GRANDES ABOLICIONISTAS, no lado esq. do Altar-Mor:
Senhoras Ana Maria Enout Rebouças; Tereza Maria de Souza Dantas;
Luísa Vieira de Souza Dantas; Sylvia Isabel Cesário Alvim de Souza Dantas;
Eva Lins Corrêa de Oliveira; Maria Augusta Rebouças
& Maria do Carmo de Mello Franco Nabuco de Magalhães Lins.
Foto Ronaldo Holtz

De Recife, vieram ainda mais duas sobrinhas-trinetas do
CONSELHEIRO JOÃO ALFREDO, as Senhoras
Erluce e Edile Corrêa de Oliveira (esq. p/ dir.).
Foto Ronaldo Holtz

Em homenagem sincera à REDENTORA, a Irmandade
expõe seu quadro, do acervo do Consistório da
Casa – local histórico onde funcionou o SENADO DA CÂMARA
no Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves -,
abaixo da imagem de São Benedito e ao lado da imagem de
Nossa Senhora de Fátima, também comemorada em 13 DE MAIO.
Foto Ronaldo Holtz

Durante a Missa, o Senhor Pe. Eugênio de Senna Monteiro faz uma
das preces da assembléia, ao lado da Família Imperial.
Foto Ronaldo Holtz

Depois do fim da Missa e antes do início da Sessão Solene da ALERJ,
os Príncipes posam ao lado de alguns Clérigos. Da esq. p/ a dir.:
Pe. Eugênio, D. Eudes, D. Isabel, D. Abade José, D. Christine,
D. Maria Elisabeth, D. Cláudia e D. Fernando.
Foto Ronaldo Holtz

O V Salão de Artes Plásticas Afro-Brasileiras

Às 18h30min, inaugurou-se no Salão superior da Irmandade o tradicional Salão de Artes Plásticas Afro-Brasileiras, este ano em sua quinta versão. A coordenação do evento cabe à Senhora Ana Cleide Botelho.

A Princesa D. Isabel Eleonora de Orleans-e-Bragança, trineta homônima
da REDENTORA, e sua mãe, a Princesa D. Maria da Graça, inauguram o
V Salão de Artes Plásticas Afro-Brasileiras, ao lado de um dos
Diretores da Imperial Irmandade dos Homens Pretos.
Foto A. Cleide Botelho

D. Isabel Eleonora e D. Maria da Graça, filha mais velha e esposa do
Príncipe D. Fernando Diniz, em momento de descontração no V Salão de Artes.
Foto A. Cleide Botelho

A Sessão Solene da ALERJ na Imperial Irmandade

Por volta das 19h30min, teve início a Sessão Solene da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro na Igreja da Imperial Irmandade. Presidia a Sessão o Excelentíssimo Senhor Deputado Leandro Sampaio, Corregedor-Geral da ALERJ, que contava ainda com a Senhora Deputada Jurema Batista (Presidente da Comissão de Combate às Discriminações da ALERJ) e o Senhor Deputado Paulo Melo (Líder do PMDB na ALERJ).

Os Senhores Deputados Leandro Sampaio e Jurema Batista.
O Secretário do IDII, Prof. Bruno de Cerqueira, é o Mestre-de-Cerimônias.
Foto Leandro Marins

A Deputada Jurema Batista fala sobre a
homenagem ao DOUTOR ANDRÉ REBOUÇAS.
Foto Leandro Marins

A Deputada entrega às Senhoras Rebouças o
TÍTULO DE BENEMÉRITO post-mortem de ANDRÉ REBOUÇAS.
Foto Leandro Marins

A Senhora Ana Maria Rebouças discursa.
Foto Leandro Marins

A bisneta de Antonio Rebouças, irmão e parceiro de ANDRÉ REBOUÇAS na maior parte de suas empreitadas, a Senhora Ana Maria Rebouças, psicanalista de profissão, fez a seguinte alocução:

Primeiramente quero dizer que é um prazer e uma honra estarmos aqui entre vocês, nesse evento promovido pela Imperial Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, pelo Instituto D. Isabel I a Redentora e pela Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro que, neste 13 de maio de 2004, vem homenagear a memória dos grandes vultos da chamada Aventura Abolicionista, um movimento que durou décadas e empenhou várias gerações em lutas ideológicas libertárias, envolvendo e comprometendo corações e mentes, em todos os segmentos da vida nacional.

Talvez hoje nós não tenhamos a dimensão do que foi esse trabalho ético de conscientização, mobilização e comprometimento de extratos, os mais diversos da sociedade brasileira: ricos, pobres, pretos e brancos, escravos e senhores, poderosos e gente comum. A propaganda abolicionista através do investimento pessoal e afetivo, intelectual e financeiro, de brasileiros tão abnegados quanto brilhantes, foi um movimento que acabou por empolgar toda a nação até que sob a pressão social, Estados e Municípios libertavam escravos, e o próprio Palácio Imperial, da Princesa D. Isabel, também convertida à causa abolicionista, acolhia escravos foragidos de fazendas circunvizinhas a Petrópolis.

Faltava a ação afirmativa que legalizasse o que já era visto como legítimo. Em 9 de maio de 1888 a lei para a Abolição imediata e sem indenização aos proprietários de escravos, transita vitoriosa pela Câmara, em 12 de maio, pelo Senado, e no 13 de maio é assinada pela Princesa D. Isabel, como Regente. André Rebouças em seu diário comenta que não é só uma grande festa da nação, é também a primeira emoção que o Brasil dá ao mundo.

Manter a memória do 13 de maio e homenagear os grandes vultos da Abolição e a Princesa D. Isabel, estadista sensível que soube se incorporar à corrente histórica pela ação afirmativa, significa mais que tudo, resgatar a história, para dela tirar ensinamentos e inspiração para o presente e para o futuro. A Abolição da Escravatura ficou incompleta e isso trouxe conseqüências gravíssimas para o Brasil de nossos dias.

André Rebouças, engenheiro, catedrático da Escola de Engenharia, empresário, cuja fortuna foi toda empregada no movimento Abolicionista, ideólogo em economia social, política e ecologia, segundo os historiadores um dos principais construtores da modernidade do Brasil, dizia que sua preocupação com a abolição da escravatura fora apenas incidental. e que sua luta maior sempre fora pela abolição das desigualdades e dos privilégios, pela abolição do latifúndio improdutivo gerador de relações perversas, que impediam a democratização da posse da terra para os que nela trabalhavam, fossem ex- escravos ou imigrantes. Na sua concepção a Abolição não seria completa sem projetos eficazes de inclusão social, educacional e econômica dos negros libertos. Projetos esses que achava possível serem realizados no contexto da monarquia de Pedro II. Projetos que não foram realizados nesses 116 anos de abolição.

Que a inegável atualidade de seu pensamento e o exemplo dos outros que homenageamos hoje, no 13 de maio, possam despertar nossa consciência para a necessidade de novos movimentos éticos e ações mais eficazes no inconcluso trabalho da abolição das desigualdades no Brasil.

Muito obrigada.

A Deputada Jurema Batista homenageia com a entrega de uma
MOÇÃO DE CONGRATULAÇÕES E LOUVOR ao MUSEU DO NEGRO,
que funciona no segundo andar do prédio da Irmandade.
Foto Leandro Marins

A Deputada Jurema Batista entrega à Senhora Diretora do
MUSEU DO NEGRO, Profª. Juracy Arruda C. da Silva, a Moção da ALERJ.
Foto Leandro Marins

Não podendo comparecer à solenidade da ALERJ na Irmandade, enviaram correspondências de congratulações aos Senhores Deputados as seguintes Excelentíssimas Autoridades:

  • o Eminentíssimo Senhor Arcebispo Emérito de S. Sebastião do Rio de Janeiro, D. Eugênio Cardeal de Araújo Sales;
  • o Senhor Comandante Militar do Nordeste, General-de-Exército Roberto Jugurtha Câmara Senna;
  • o Senhor Arcebispo Metropolitano de Aracaju, D. José Palmeira Lessa;
  • o Senhor Secretário de Estado de Segurança Pública do RJ, Anthony Garotinho;
  • o Senhor Secretário de Estado da Justiça do Espírito Santo, Dr. Luiz Ferraz Moulin;
  • o Senhor Secretário de Estado de Educação do RJ, Prof. Cláudio Mendonça;
  • o Senhor Secretário de Estado de Cultura do RJ, Acadêmico Arnaldo Niskier;
  • o Senhor Secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico do RJ, Humberto Eustáquio César Mota;
  • o Senhor Secretário de Estado de Habitação do RJ, Dr. Fernando Avelino B. Vieira;
  • a Senhora Corregedora-Geral do Ministério Público do RJ, Dra. Denise Freitas Fabião Guasque;
  • o Senhor Vice-Líder do PL na ALERJ, Deputado Aurélio Marques;
  • o Senhor Chanceler do Consulado-Geral do Principado de Mônaco em SP, Prof. Bernard Barrandon;
  • Etc.

A Profª Juracy Arruda Caetano da Silva agradece a deferência da
Senhora Deputada Jurema Batista.
Foto Leandro Marins

O Deputado Paulo Melo discursa brevemente sobre o
CONSELHEIRO JOÃO ALFREDO.
Foto Leandro Marins

O Senhor Deputado Paulo Melo falou sobre a importância histórica da data e a necessidade de sua comemoração. Lembrou ainda que somos todos nós brasileiros mestiços, cultural e etnicamente, o que por si só deveria evitar os segregacionismos infundados.

Falou ainda sobre o orgulho de sua origem, em Saquarema, Região dos Lagos do Estado do Rio, local onde reuníam-se no séc. XIX os grandes chefes políticos conservadores do Império do Brasil, ao ponto de serem chamados de saquaremas pela imprensa da época. “Foram os conservadores – lembrou o Deputado – que fizeram a Abolição, pois os Liberais nunca conseguiram implementá-la”.

O Deputado Paulo Melo passa às mãos da Senhora Eva Corrêa de Oliveira
o Título post-mortem do CONSELHEIRO JOÃO ALFREDO.
Foto Leandro Marins

A sobrinha-trineta do CONSELHEIRO JOÃO ALFREDO
discursa, em nome da família.
Foto Leandro Marins

A representante dos Corrêa-de-Oliveira discorreu sobre o longo percurso da atuação pública do CONSELHEIRO JOÃO ALFREDO na política imperial, mormente nos últimos trinta anos da Monarquia brasileira. Destacou a importantíssima liderança do ilustre pernambucano sobretudo na chamada Questão Religiosa, onde foi ferrenho defensor da Igreja Católica, e na Causa Abolicinista, onde utilizou-se de todo o seu prestígio junto às elites conservadoras do Império, arregimentando-as em prol da extinção do cativeiro.

A Senhora Eva Lins Corrêa de Oliveira, genealogista empenhada nas pesquisas sobre as linhagens de Pernambuco, falou ainda sobre o conservadorismo progressista do Conselheiro e sua extremada fidelidade à Família Imperial deposta com o golpe de 15 de novembro de 1889.

O Deputado Leandro Sampaio entrega à Senhora Tereza Maria de Souza Dantas
e à Senhorita Luísa Vieira de Souza Dantas (centro)
o Título post-mortem do SENADOR DANTAS.
Foto Leandro Marins

O Corregedor-Geral da ALERJ e as Senhoras Souza Dantas.
Leandro Sampaio é o antigo PREFEITO DE PETRÓPOLIS,
cidade à qual mantiveram-se bastante ligados tanto
os Nabuco quanto os Souza Dantas.
Foto Leandro Marins

A Senhora Tereza de Souza Dantas diz algumas palavras de
agradecimento à ALERJ e à Imperial Irmandade dos Homens Pretos.
Foto Leandro Marins

Estiveram presentes à solenidade inúmeras autoridades, entre as quais destacavam-se o Senhor Cônsul-Geral de Angola no Rio de Janeiro e Decano do Corpo Consular fluminense, Embaixador Ismael Diogo da Silva; o Senhor Subdefensor-Público Geral do Estado do RJ, Dr. Serafim Yassim e a representante do Senhor Delegado-Chefe de Polícia Civil do Estado do RJ, Dr. Álvaro Lins.

O Deputado Leandro Sampaio entrega à neta de JOAQUIM NABUCO,
a Senhora Maria do Carmo Nabuco de Magalhães Lins,
conhecida socialmente como NININHA NABUCO,
o Título post-mortem do Patrono da Raça Negra.
Foto Leandro Marins

A Senhora Nininha Nabuco falou sobre a gratidão de toda a família à ALERJ, pelo reconhecimento à importância histórica da luta abolicionista no final do séc. XIX, discursando:

Agradeço em nome de todos os descendentes de JOAQUIM NABUCO o Título de Benemérito do Estado do Rio de Janeiro dado a ele pela ALERJ.

O dia de hoje será sempre uma data esplendorosa no Brasil e manifesto minha gratidão a todos os descendentes da tão generosa Raça Negra, que construiu esse País com suas mãos, seu esforço gigantesco, sua inteligência e bondade extraordinárias.

Espero que esta e as futuras gerações saibam cada vez mais demonstrar seu reconhecimento aos que tanto fizeram e fazem pela sua Pátria.

Muito obrigada!

A Senhora Nininha Nabuco, visivelmente emocionada, discursa.
Foto Leandro Marins

Antes do término das homenagens, com a entrega do Título de CIDADÃ DO ESTADO à Princesa D. Isabel do Brasil, falaram a representante do Instituto D. Isabel I, Conselheira Lêda Macho, e o representante da Irmandade, instituição anfitriã, o Prof. Elvandro de Azevedo Burity.

A Conselheira Lêda Machado leu o seguinte discurso do Conselheiro-Presidente do IDII, Prof. Otto de Sá-Pereira:

Como Presidente que somos do Instituto D. Isabel I a Redentora, não poderíamos deixar de nos pronunciar em um momento tão comovente e patriótico da História de nosso Estado do Rio de Janeiro — e por que não dizer do nosso Brasil?

Ocasião na qual o Povo Fluminense, representado por sua Assembléia Legislativa, nas pessoas dos Senhores Deputados Jurema Batista, Leandro Sampaio e Paulo Melo, cumprem honrosamente alguns deveres históricos: primeiro, conferindo o Título de Cidadão do Estado do Rio de Janeiro à bisneta homônima da REDENTORA…

Esta homenagem à Princesa D. Isabel, a atual, acontece nesse TREZE DE MAIO, centésimo décimo sexto aniversário da libertação total dos escravos com uma satisfação póstuma de louvor à grande PRINCESA REDENTORA, que justamente foi intitulada porque de fato redimiu um Povo.

Infelizmente, existem em nosso dias alguns professores e historiadores que procuram minimizar a ação da Princesa, como também a de seu pai, D. Pedro II, no processo abolicionista. Não pretendemos, aqui e agora, dar uma aula de História a esses senhores; só recomendamos que consultem melhor livros e páginas na Internet, onde encontrarão esclarecimentos mais justos sobre o assunto. Mas não podemos nos furtar a narrar fato ocorrido na Europa, já no exílio da Família Imperial.
Alguém tendo inquirido a D. Isabel se ela assinaria a Lei Áurea, caso soubesse que seria essa Lei a principal causa da queda do Trono, ela respondeu: “Mil outros tronos houvessem a cair, eu não deixaria de assiná-la para libertar os escravos!”

D. Isabel, Princesa Imperial do Brasil, herdeira do trono, nascida em 1846, foi antes de tudo, uma piedosíssima católica e, por conseguinte, uma defensora ardente dos Direitos Fundamentais da Pessoa Humana, como filhos todos que somos do mesmo Deus, feitos à Sua Imagem e Semelhança. Ela libertou os escravos mas também pensou em outros direitos humanos. Foi a grande precursora da defesa do direito das mulheres votarem e serem votadas. Declarou várias vezes a políticos ou amigos que “Se as mulheres reinam, por que não podem votar?”

Estamos certos de que se o Terceiro Reinado tivesse vindo, o Brasil teria gozado de uma excelente Imperatriz. Ela, que foi Dona ISABEL I de jure — isto é, de direito —, no triste exílio na França, teria sido aqui também a IMPERATRIZ DO BRASIL de facto. E com certeza a História de nossa Pátria seria bem outra… Sobre essa e diversas outras temáticas históricas e sociais, solicitamos que consultem nossa Página na Internet: http://www.idisabel.org.br

Hoje, pensaram os Senhores Deputados também dever homenagear as figuras portentosas de JOAQUIM NABUCO, ANDRÉ REBOUÇAS, SENADOR DANTAS & CONSELHEIRO JOÃO ALFREDO, não só amigos e fiéis súditos da REDENTORA como seus grandes parceiros na Causa Maior do Brasil de fins do século XIX: o ABOLICIONISMO.
É admirável que a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro tenha tomado essa iniciativa. Isto nos faz acreditar um pouco mais na memória histórica daqueles áureos dias da Política Imperial refletindo nas atuações sociais dos Senhores Parlamentares. Isto nos alegra imensamente porque memória histórica é CULTURA e CULTURA é a alma de uma Nação.

Os Senhores Deputados Jurema Batista, Leandro Sampaio e Paulo Melo sabem disso e, portanto, merecem os mais afetuosos e dignificantes agradecimentos e cumprimentos do Instituto Cultural D. Isabel I a Redentora e de todos os BRASILEIROS em geral.

E é também, indiretamente, por causa de CULTURA que nós, desolados, fomos obrigados a deixar de comparecer a essa tarde gloriosa. Nossa Universidade Católica de Petrópolis tem passado por momentos dificílimos ultimamente. Graças a Deus, as coisas estão melhorando; mesmo assim, não poderíamos nos ausentar justamente hoje, quando devemos aplicar prova a uma turma de mais de 70 alunos, não havendo possibilidade de substituição de professor ou adiamento do teste. A coincidência é que a prova é justamente da disciplina de CULTURA BRASILEIRA…

A UCP, onde lecionamos já há mais de 34 anos, é um símbolo de Petrópolis e sendo Petrópolis a eternamente bela CIDADE IMPERIAL, sentimo-nos fortemente responsáveis por sua boa imagem pública.

A Presidência do Instituto Cultural D. Isabel I a Redentora não poderia faltar nesse momento histórico. Por isso, a Conselheira Lêda Machado faz aqui a leitura de nossa saudação, repleta de afeto e gratidão, como já dissemos, à Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e à Imperial Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos.

Falar dos HOMENAGEADOS de hoje seria quimera, uma vez que seus nomes estão inscritos no LIVRO DE OURO DA HISTÓRIA DO BRASIL! Assim, formulamos apenas a seus ilustríssimos descendentes, presentes nesta Igreja tão fulcral da Nacionalidade Brasileira, que representando os GRANDES ABOLICIONISTAS, possam também pautar suas condutas em aguerrido combate as nossas mazelas sociais, advindas da Escravidão.

Esta Igreja, local onde num 13 de Maio bem anterior ao de 1888, ou seja, no 13 de Maio de 1882, o Regente D. Pedro foi aclamado DEFENSOR PERPÉTUO DO BRASIL, é testemunha perene da GRANDEZA que nosso País já deteve em período pretérito.

Não sendo absolutamente impossível que retornemos ao padrão de dignidade nacional do qual um acidente histórico nos desencaminhou, fica a sugestão aos nobilíssimos Senhoras e Senhores Nabuco, Rebouças, Souza Dantas e Corrêa de Oliveira que, seguindo os exemplos de seus maiores, auxiliem neste processo histórico as pessoas de boa vontade que desejam ardentemente rever o BRASIL em seus retos trilhos de desenvolvimento, estabilidade política e justiça social.

É assim que encerramos nossa alocução: formulando os melhores votos aos presentes, mas sem pestanejar, alertando a todos que a magnânima representatividade sócio-histórica dos GRANDES ABOLICIONISTAS e da REDENTORA não pode apenas levá-los a cultivar sadiamente suas memórias. Essa representatividade deve nos conduzir, diariamente, ao AMOR INCONDICIONAL À PÁTRIA BRASILEIRA e à luta pela melhoria da condição de vida de todos os nossos compatriotas, principalmente, os negros brasileiros, cuja REDENÇÃO ocorreu em 1888, mas a verdadeira reparação talvez só esteja chegando agora, mais de 110 anos depois…

Temos certeza de que para os infelizes desterrados Dom Pedro II e Dona Isabel I, principalmente, a “Justiça de Deus na Voz da História” começa a chegar de maneira irreversível: por isso demos graças a Deus nas alturas!

Que Deus abençoe Vossas Altezas, Vossas Excelências e todos Vocês!

Viva Nossa Senhora do Rosário! Viva São Benedito!

Otto de Alencar de Sá-Pereira

A Cons. Lêda Machado discursa em nome do
Prof. Otto de Sá-Pereira e todo o Instituto D. Isabel I.
Foto Leandro Marins

Discursando em nome da Provedoria da Imperial Irmandade dos Homens Pretos,
fala o Senhor Prof. Elvandro de Azevedo Burity – do púlpito da Igreja,
sítio profundamente simbólico da luta abolicionista em fins do séc. XIX.
Dali falaram várias vezes JOAQUIM NABUCO, JOSÉ DO PATROCÍNIO
e outros guigantes da Abolição.
Foto Leandro Marins

Retomando a palavra, o Deputado Paulo Melo passa à
entrega do Título de Cidadã à Princesa D. Isabel, bisneta homônima da Redentora.
Foto Leandro Marins

O Deputado Paulo Melo convida seu colega Leandro Sampaio, bem como o
Provedor e a Provedora da Imperial Irmandade a que façam com ele
a entrega simbólica do Título de D. Isabel do Brasil, numa demonstração de
reconhecimento conjunto da Nacionalidade Brasileira aos méritos
de Sua Alteza e a sua alta representatividade social.
Foto Leandro Marins

A Princesa CIDADÃ DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
posa ao lado dos Senhores Deputados e Provedores.
Foto Leandro Marins

D. Isabel discursa brevemente, lembrando o efeito catalisador
da ação de sua Bisavó na Causa Abolicionista e enfatizando
que não basta descender dos grandes vultos;
é necessário saber manter suas memórias atuando socialmente.
Foto Ronaldo Holtz

D. Isabel recebe do Juiz e da Juiza de N. S. do Rosário,
Prof. Carlos Alberto Guimarães e Senhora Mary Isabel Pereira,
o Livro de Compromisso da Imperial Irmandade dos Homens Pretos
do Rio de Janeiro, cujas origens remontam ao séc. XVII.
Foto Leandro Marins

A Juiza de N. S. do Rosário entrega o Livro de Compromisso
da Imperial Irmandade dos Homens Pretos
às Senhoras Nininha Nabuco e Maria Augusta Rebouças.
Foto Leandro Marins

A Senhora Eva Corrêa de Oliveira recebe o Livro Compromissal da Irmandade.
Foto Ronaldo Holtz

A Senhora Ana Maria Rebouças recebe o Livro Compromissal da Irmandade.
Foto Ronaldo Holtz

Encerrou oficialmente a Sessão o Excelentíssimo Senhor Corregedor-Geral da ALERJ, Deputado Leandro Sampaio que, recordando estarem todos dentro de um templo católico, rogou ao Senhor e Sua Santíssima Mãe que nos abençoassem e sobretudo zelassem pelo BRASIL.

A seguir, o Mestre-de-Cerimônias anunciou o convite da Irmandade para coquetel no Salão Nobre e visita ao Salão de Artes Plásticas Afro-Brasileiras e ao Museu do Negro, no segundo andar.

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