Homenagem a D. Maria da Graça na ALERJ

Fotografias: Ramien Brum
(Deptº de Comunicação Social – ALERJ)

Princesa de Orleans-e-Bragança recebe o título de Benemérita do Estado

Com singeleza e enorme dignidade, Dona Maria da Graça de Orleans-e-Bragança recebeu na ALERJ (Assembléia Legislativa do Estado RJ), o Título de Benemérita do Estado do Rio de Janeiro, por proposição da Senhora Deputada Aparecida Gama (PSB), no último dia 25 de agosto.

No mesmo dia em que se comemorava em todo o País o Bicentenário de Nascimento do DUQUE DE CAXIAS, a Princesa brasileira que é filha de coronel-engenheiro e neta de marechal-médico de nosso Exército, recebia no Palácio Tiradentes, sede do Poder Legislativo fluminense e antiga Câmara dos Deputados do Brasil, as mais sinceras homenagens de amigos, admiradores e familiares.

Composta a Mesa de Honra, os presentes ouvem o
HINO NACIONAL, executado pela Banda da PMERJ.
Na foto, da esq. p/ dir.: o Príncipe D. Fernando Diniz, a
Princesa D. Maria da Graça, a Chefe do Cerimonial da ALERJ
(Profª Vera Jardim), a Deputada Aparecida Gama, o
Príncipe D. Antonio João e a Princesa D. Christine.

A solenidade ocorreu no Plenário Barbosa Lima Sobrinho e teve a participação da Banda da Polícia Militar do Rio de Janeiro, do Coral da Basílica de Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Botafogo e dos Cadetes da Academia de Bombeiros Militar DOM PEDRO II, que serviram de Guarda de Honra para a Família Imperial.

Os Príncipes presentes foram, além de D. Fernando, D. Graça e suas filhas D. Isabel Eleonora, D. Maria da Glória Cristina e D. Luiza Carolina; D. Antonio e D. Christine do Brasil e seus filhos D. Pedro Luiz e D. Amélia; D. Isabel e D. Maria Gabriela do Brasil; D. Pedro de Alcantara e D. Maria de Fátima de Orleans-e-Bragança e sua filha D. Maria Carolina; D. Cláudia e D. Maritza de Orleans-e-Bragança.

Da família de nascimento da Princesa, compareceram seu pai,
o Coronel Walter Baere de Araújo, e seus irmãos,
Dr. João Walter de Siqueira-Carvalho Baere de Araújo e
Dr. Francisco Henrique de Siqueira-Carvalho Baere de Araújo,
respectivamente os senhores da dir. p/ a esq.

Entre as autoridades presentes, destacavam-se o representante do Senhor Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, Pe. Sérgio Costa-Couto, Capelão da Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro; o Reverendo Luciano Vergara, da Igreja Metodista; o Capitão EB representante do Comandante do 1º Batalhão de Guardas – Batalhão do Imperador, Cel. EB José Ernesto Corrêa; a representante do Consulado-Geral da Romênia no Rio, Consulesa Helen Grecea; ausências de importantes convidados ligados a órgãos governamentais explicando-se pelo fato de haver, no mesmo dia e hora, a cerimônia militar de homenagem ao DUQUE DE CAXIAS, em seu Panteão, no Centro do Rio.

Representando os monarquistas, estiveram presentes o Chanceler e a Vice-Chanceler do Círculo Monárquico do Rio de Janeiro, Senhor Ohannes Kabderian Jr. e Profª. Maria da Glória do Nascimento Souza; o Presidente do Círculo Monárquico Dom Pedro II, de Niterói, Prof. Dr. Sebastião Teixeira-Leite A. Perlingeiro, acompanhado de sua esposa, a Condessa Olga Csàky; o Senhor Stélio Ferreira Marinho, que cumprimentou a Princesa como porta-voz de todos os admiradores dela no Ceará, terra natal de sua mãe.

Antigos assessores do Príncipe Senhor D. Pedro Henrique também compareceram: Prof. Paulo Fernando de Albuquerque-Maranhão, Prof. Francisco Camões de Menezes e Dr. Paulo Evaristo Lopes dos Santos e Sousa.

Depois da audição do Hino Nacional, a Deputada Aparecida Gama, Corregedora-Geral da ALERJ, proferiu o seguinte discurso:

“Homenageamos a figura ímpar de DONA MARIA DA GRAÇA DE ORLEANS-E-BRAGANÇA.

“Justamente hoje, 25 de agosto de 2003, dia em que se comemora, Brasil afora, o Bicentenário de Nascimento do Soldado dos Soldados Brasileiros, o eterno DUQUE DE CAXIAS.

“Se considerarmos que o MARECHAL LUIZ ALVES DE LIMA E SILVA foi o nobre mais titulado pela Monarquia Brasileira, poderíamos associar sua imagem, indiscutivelmente, à da Família Imperial e, assim, justificar uma Sessão Solene de entrega do TÍTULO DE BENEMÉRITO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO a um membro da Realeza brasileira neste dia.

“Contudo, a data foi, na verdade, uma feliz coincidência. A homenagem a D. Maria da Graça era certa, mas o dia ainda deveria ser agendado. À informação cedida pelo Cerimonial da ALERJ de que o 25 de Agosto nos poderia ser reservado para entregar o Título a D. Graça, seguiu-se grande contentamento de nossa parte, pois celebraríamos, também, neste dia, a memorável efeméride do DIA DO SOLDADO, na ocasião em que o Patrono das Forças Armadas completa 200 anos de nascimento. Qual a feliz, ou melhor, felicíssima coincidência?

“É a de que, na verdade, Dona Graça, antes de Princesa-consorte de D. Fernando Diniz, é a filha do Coronel-engenheiro Walter Baere de Araújo e a neta do Marechal João Baptista Braga de Araújo, dois modelares personagens do Exército Brasileiro. Companheiros de farda desse que é um dos maiores heróis brasileiros – o Duque de Caxias -, o pai e o avô de Dona Graça puderam transmitir-lhe, desde o berço, o amor incondicional à Pátria Brasileira, logo abaixo do amor a Deus.

“Assim, hoje procedemos às duas saudações simbólicas ao nosso País: à PRINCESA BRASILEIRA D. MARIA DA GRAÇA DE ORLEANS-E-BRAGANÇA e ao maior nobre e militar de nossa História, o DUQUE DE CAXIAS.

“Neste Parlamento, que é uma das mais importantes sedes da simbologia republicana no Brasil, homenageia-se um membro da Realeza Brasileira. Isto significa dizer que, de alguma maneira, República e Monarquia começam a diminuir suas inimizades históricas. Vão-se já quase 115 anos de estabelecimento da República em nosso País; as circunstâncias desse estabelecimento são bem conhecidas e não cabe aqui a elas aludir.

“Vale dizer apenas que a homenagem que se presta a Dona Maria da Graça de Orleans-e-Bragança é mais do que justa, não somente pelo que representa como ser humano fantástico que é essa Princesa, como pelo fato de que louvar o período áureo do Império Brasileiro na pessoa de um dos descendentes de Dom Pedro I, Dom Pedro II e Dona Isabel I nunca será demais, como disse há pouco tempo atrás o Prefeito do Rio, ao inaugurar a estátua da Redentora, na rua de seu nome, no Bairro do Leme.

“Portanto, à Dona Graça rendemos os preitos de homenagem por sua condição de mulher, mãe de família e princesa exemplar – ela é, como todos sabem bem, catequista e auxiliar do Cônego Morais, na Urca -, justamente por seu engajamento constante nas obras da Arquidiocese do Rio, correspondendo assim aos anseios do PAI que, antes de enxergar os príncipes como detentores de honra e glória terrena, os vê como Seus maiores servidores. Sejam os príncipes da Igreja – os Bispos – ou os das Casas Reais.

“Pessoa simples, Dona Graça é avessa a títulos e tratamentos. Contudo, penso que carregará com orgulho o de Benemérita de nosso Estado, pois ela é, de fato, bastante digna dele.”

Aspecto do Plenário da ALERJ durante a cerimônia.
Na 1ª e 2ª filas da direita, vê-se a Família Imperial.

Logo após, ela cedeu a palavra ao Prof. Bruno de Cerqueira, Diretor do Instituto Cultural D. Isabel I a Redentora que, fazendo uso da Tribuna de Orador, leu a seguinte saudação à Princesa D. Maria da Graça:

“Após essas excelentes palavras da Senhora Deputada Aparecida Gama, o que eu teria a acrescentar é que, sem sombra de dúvidas, hoje é um dia histórico.

“Finalmente a Família Imperial é recebida condignamente na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, a antiga Câmara dos Deputados da República do Brasil, para homenagem a um de seus representantes. E isso no dia, como muitíssimo bem lembrou a Senhora Deputada, em que o Brasil festeja o Bicentenário de seu maior militar, o DUQUE DE CAXIAS, cuja síntese é sua frase mais célebre: “Sigam-me os que forem brasileiros”, conforme aponta o atual Comandante do Exército em seu decreto de homenagem ao grande Marechal, que se deu e ainda está se dando hoje em todos os quartéis do Brasil.

“Mas Dona Graça, diriam alguns, não é descendente de nossos Imperadores. Ela é a esposa de Dom Fernando, que é o bisneto de Dona Isabel. Por que, então, homenageá-la?

“Porque Dona Maria da Graça, senhoras e senhores, talvez seja a principal representante daquilo que pude escrever num texto sobre a Descendência de Dom Pedro II na Revista do Corpo de Bombeiros Militar de Petrópolis, certa vez. Dissemos, Prof. Otto de Sá-Pereira e eu, naquele texto, que “ao escolherem por esposas Ana Maria Cerqueira-César de Moraes-Barros, Maria de Fátima de Andrada Baptista-de-Oliveira Rocha, Maria da Graça de Siqueira-Carvalho Baère de Araújo, Cláudia Regina Lisboa Martins Godinho e Martiza Bulcão Ribas Bokel, os Príncipes do Brasil, filhos de D. Pedro Henrique, que haviam renunciado ao Trono, desposaram a brasilidade aristocrática”. De longa data, as Casas Reais perceberam que os seus príncipes mais novos poderiam, e em alguns casos, até deveriam, unir-se às mais antigas Casas da Nobreza nacional, com isso estreitando laços entre as duas esferas tradicionais de governo, que são a Monarquia e a Aristocracia.

“Há quase trinta anos atrás, o Príncipe D. Fernando do Brasil renunciou solenemente a seu título, tratamento, prerrogativa e direito dinástico de herança da Coroa Brasileira, restando Príncipe de Orleans-e-Bragança, por direito familiar inalienável, em vista de permitir ao próximo irmão na linha sucessória que quisesse prosseguir a Dinastia Imperial – fazendo o enlace dinástico -, a ascensão a sua posição.

“Temos certeza, a mais absoluta, que D. Fernando jamais se arrependeu. Deus lhe deu uma esposa adorável e três belíssimas Princesinhas de seu casamento com a Senhorita Maria da Graça, celebrado naquele memorável 19 de março de 1975, na Igreja da Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, em plena Festa de São José.

“Ouso mesmo colocar que Príncipe “com-sorte” neste casamento é Dom Fernando, pois a graciosidade e candura que encontrou em Dona Graça talvez nenhuma Princesa imperial, real, principesca ou grã-ducal pudesse lhe proporcionar.

“Ela que como filha do Coronel Walter, descende de muito boas famílias de Minas Gerais, além de provir da Casa nobre belga de Baère.

“A primogênita da Senhora Maria Magdalena de Souza-Carvalho e Siqueira-Carvalho é, pela mãe, oriunda da Aristocracia cearense. O avô da Senhora Maria Magdalena foi ninguém menos que José Cândido de Souza Carvalho, o rico empresário que galgou os maiores postos na administração de seu Estado natal, tendo sido mesmo o Vice-Governador do Ceará.

“Pela mãe, portanto, Dona Graça é descendente dos Ximenes de Aragão, dos Albuquerque Melo, dos Hollanda, etc. Sua ancestralidade remeterá sempre aos bravos povoadores da Ribeira do Acaraú que, por laços de parentesco instituídos ao longo dos séculos, ligam-se a quase todos os demais fundadores de linhagem do Nordeste brasileiro e do Brasil em geral, pois foi lá que começamos.

“Era isso, senhoras e senhores, o que eu gostaria de dizer, contribuindo para a melhor elucidação a todos de porque honrar a figura meiga e caridosa de Dona Maria da Graça de Orleans-e-Bragança.

“O Instituto Dona Isabel I sente-se orgulhoso de poder reverenciar esta fulgurante binoreta da Redentora – é esse o termo genealógico que define o parentesco entre D. Graça e D. Isabel I -, ao mesmo tempo que empenha seus melhores agradecimentos à Excelentíssima Senhora Deputada Estadual Aparecida Gama, pela esplêndida iniciativa.

“MUITO OBRIGADO!”

Depois disso, a Deputada passou a palavra ao Prof. Gastão Reis Rodrigues-Pereira, Presidente do Conselho Municipal de Cultura de Petrópolis e Vice-Presidente do IDII, que ressaltou sobretudo as semelhanças existentes entre a CARIDADE que D. Maria da Graça representa e aquela que foi representada por D. Isabel I. O Prof. Gastão lembrou ainda que nunca haverá motivos para desânimos entre os que crêem num Brasil novamente “impávido e colosso”, pois há um futuro glorioso que nos aguarda.

A seguir, a Deputada anunciou que o Coro da Basílica cantaria o GLORIA, do sacerdote catarinense Pe. Ney Brasil. Depois, ela concedeu a palavra ao Cônego Antônio José de Morais, Pároco de Nossa Senhora do Brasil, na Urca, onde a Princesa exerce a função de catequista. Pe. Morais, como é conhecido na Arquidiocese do Rio, teceu os maiores elogios a D. Maria da Graça, referindo-se mormente à solicitude que lhe é peculiar.

O Cônego Antonio de Morais discursa na Tribuna do Plenário,
sob a atenção de D. Isabel do Brasil,
D. Fernando e D. Graça de Orleans-e-Bragança

No mês da Assunção da Virgem Maria aos Céus, a Deputada Aparecida Gama, conhecida líder política católica do Estado do Rio, pediu então que o Coro da Basílica, sob a regência do Maestro Antonio da Rocha-Pitta, cantasse a AVE-MARIA de Somma, o que emocionou a todos.

Terminada a apresentação musical, a Deputada procedeu à entrega do Tìtulo de Benemérita do Estado à Princesa, sob os vivos aplausos de todos os que ali estiveram em dia bastante chuvoso na Cidade Maravilhosa. Enquanto isso, a Banda da PMERJ executava o HINO DA INDEPENDÊNCIA, como fundo sonoro.

Dona Maria da Graça posa para as fotos, após receber o
Título de Benemérita do Estado do Rio de Janeiro
das mãos da Deputada Aparecida Gama

Em seu discurso, proferido da Tribuna de Orador Principal, a Princesa agradeceu empenhadamente a todos os que colaboraram para a realização daquela solenidade: primeiro a Deus e Nossa Senhora, depois à Deputada e aos demais. Disse não se sentir digna de uma tal honraria, por considerar que nada mais faça senão obedecer aos mandamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo; nesse ínterim, lembrou que antes de tudo, ela teve exemplos muito marcantes que a conduziram à vida catequética: sua mãe, a falecida Senhora Maria Magdalena e sua sogra, D. Maria da Baviera.

A Princesa, ciosa do aspecto solene da cerimônia,
procede à leitura de seu discurso.

D. Graça dividiu com os milhares de catequistas brasileiros o Título de Benemérita e formulou os mais ardentes votos de que nosso País se reencontre consigo mesmo, através da prática cotidiana da CARIDADE entre nós, resgatando assim nossa verdadeira vocação de justiça social ampla e irrestrita.

Terminando sua fala, a Princesa recebeu um arranjo de flores auri-verde de suas três filhas, no centro do Plenário.

D. Graça posa entre as filhas, com seu Título,
após ter sido presenteada por elas com flores verdes e amarelas

Após a execução do Hino do Estado do Rio de Janeiro, a Deputada Aparecida Gama encerrou a Sessão Solene, convidando a todos que se dirigissem ao Saguão Presidente Getúlio Vargas, para cumprimentar Sua Alteza Real a Princesa Benemérita do Estado do Rio de Janeiro, D. Maria da Graça de Orleans-e-Bragança.

D. Maria da Graça e sua cunhada D. Maritza (dir.) & a
Princesinha D. Maria da Glória Cristina e seu amigo, o Senhor
João Pereira das Neves Cesário-Alvim de Souza-Dantas.

A Princesa, ladeada pela Deputada e pelo
Prof. Bruno de Cerqueira, em frente aos quadros da
Exposição Chico Mendes, que está sendo exibida no
Saguão Presidente Getúlio Vargas (Palácio Tiradentes).

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