A Missa de 7º dia de Dona Maria da Baviera – Coluna da Hildegard

O enterro em Vassouras foi de caráter privado e singelo, extremamente cristão, como foi toda a vida da Princesa-Mãe do Brasil, dona Maria da Baviera.  Já a  missa de 7º dia, na Antiga Sé e Capela Imperial do Rio de Janeiro, reuniu centenas de amigos dos 12 filhos e 29 netos que dona Maria deixou…

Celebrada por dom Orani Tempesta, Arcebispo do Rio, por dom Edney Mattoso, Bispo de Nova Friburgo, e pelo abade emérito do Mosteiro de São Bento, dom José Palmeiro, a missa por dona Maria foi a que ela bem merecia…

Descrita como um exemplo de vida para todos nós, dona Maria teve sua história contada pelos celebrantes, as alegrias e as tristezas daquela que foi, DE JURE — por tradição e direito dinástico — a Imperatriz do Brasil, desde que se casou com dom Pedro Henrique, neto e sucessor da princesa Isabel, a Redentora, em 1937…

Todos os filhos de dona Maria estavam presentes, à exceção do primogênito, dom Luiz, Chefe da Casa Imperial, que está doente em São Paulo. Cânticos latinos entoados pelo Coral do Seminário Arquidiocesano de São José, regido pelo maestro Antonio Pedro de Almeida, deram o tom ainda mais piedoso à missa. Foi muito emocionante…

Depois, na sacristia, sob o crucifixo presenteado, em 1817, pelo Imperador da Áustria a dona Leopoldina, quando esta se casou com dom Pedro de Alcântara, os filhos príncipes de dona MariaBertrand, Eudes, Isabel, Pedro, Fernando, Antonio, Eleonora, Francisco, Alberto, Maria Thereza e Maria Gabriela – receberam as condolências…

Quem gentilmente nos conta tais detalhes é o historiador Bruno de Cerqueira, estudioso do Império, que compareceu à missa, à qual, ausente do Brasil, não pude ir…

E quem quiser conferir algumas imagens, encontrei-as no You Tube. Vejam:

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Fonte: Blog da Hildegard Angel – http://noticias.r7.com/blogs/hildegard-angel/2011/05/21/a-missa-de-7º-dia-de-dona-maria-da-baviera/

Missa de 7º dia por alma de Dona Maria da Baviera

Celebrou-se hoje, na Antiga Sé-Catedral e Capela Imperial do Rio de Janeiro, o Santo Sacrifício da Missa pela alma de Dona Maria da Baviera, Princesa-Mãe do Brasil, falecida no último dia 13 de maio. Foi oficiante o Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta O.Cist., acompanhado de outros bispos e sacerdotes. A Presidente do IDII, o Prof. Bruno de Cerqueira e outros membros do Instituto estiveram presentes.

Na foto do alto: Thyago Mathias, Bruno de Cerqueira e Laila Vils. Nas duas seguintes: Nininha Nabuco, Bruno de Cerqueira e Laila Vils.

Lançado livro sobre escravidão

Estudo pioneiro revela as contradições da escravidão no Brasil Império

 

A política da escravidão no Império do Brasil revela as muitas contradições da sociedade escravista do século XIX: a defesa da liberdade e o incremento da escravidão, o liberalismo econômico e o aumento do fluxo de escravos para o Brasil, entre outros. O pesquisador Tâmis Perron mostra como a abolição do tráfico de escravos, instituída em 1831, encontrou feroz oposição das forças conservadoras, que em 1835 conseguiram reverter o quadro e elevar o contrabando de escravos a uma escala sem precedentes. Este lançamento da Editora Civilização Brasileira (www.record.com.brchega às livrarias na próxima semana.

 

A política da escravidão no Império do Brasil

Tâmis Parron

Editora Civilização Brasileira

378 páginas

Formato: 16 x 23 cm

Preço: R$ 49,90

 

A política da escravidão no Império do Brasil apresenta uma detalhada investigação sobre as contradições da escravidão no Brasil do século XIX. O pesquisador Tâmis Parron estabeleceu como recorte o período de 1826-1865 para analisar contrassensos como a defesa da liberdade e o incremento da escravidão ou população livre com várias garantias constitucionais, que dependia dos cativos para exercê-las.

 

“Durante o século XIX, toda defesa da escravidão e do tráfico negreiro se escorou no liberalismo, e essa triste, embora eficaz, fusão ajuda a esclarecer o fenômeno da dupla expansão da liberdade e do cativeiro, da riqueza e da miséria, num país que ansiava (e ainda anseia) por pertencer ao futuro da civilização e do progresso humano”, destaca o autor.

 

As ações e os discursos que proprietários, negociantes e parlamentares sustentavam ganham um novo olhar. Através desta análise, o autor procura explicar a expansão da escravidão em meio a revoltas de cativos, disputas partidárias e a própria construção do Estado Nacional brasileiro.

 

O antiescravismo internacional e a formação mundial da economia de mercado também são destacados neste estudo pioneiro de Parron. Enquanto, a partir de 1770, o sistema colonial dava lugar à economia mundial de livre mercado em toda a América fez com que a escravidão desaparecesse em diversos países, três regiões não experimentaram esta mudança: o sul dos Estados Unidos, Cuba  e o Império do Brasil. O autor explora mais este paradoxo e explica como foi possível que a escravidão ganhasse força nestas três sociedades.

 

Tâmis Parron é mestre em História Social pela FFLCH-USP. Organizou o livro Cartas a favor da escravidão, de José de Alencar (Hedra, 2008), e é co-autor de Escravidão e política: Brasil e Cuba, c. 1790-1850, com Márcia Berbel e Rafael Marquese (Hucitec, 2010). Atualmente, prossegue seus estudos sobre escravidão e política no Brasil e em outros espaços atlânticos do século XIX.

Dez anos do Instituto Dona Isabel!

Dia 14 de maio, sábado, comemorou-se com um almoço o 10º aniversário do Instituto Dona Isabel, passado no dia anterior. O almoço ocorreu no restaurante Santo Scenarium, à Rua do Lavradio, Centro do Rio Antigo. Estiveram presentes o Vice-Presidente Bruno Helmuth, e Senhora Iêda Hellmuth; o Cons. Thyago Mathias; Dr. Romeu Costa, sócio do IDII, e família; a Presidente Laila Vils, e amigos.

Dona Maria da Baviera, R.I.P.

O Instituto D. Isabel I

cumpre o pesaroso dever de informar o falecimento, no dia 13 de maio de 2011, no Rio de Janeiro, de

S.A.I.R. Dona Maria da Baviera, Princesa-Mãe do Brasil,

viúva de D. Pedro Henrique, neto e sucessor da Redentora.

SUA ALTEZA IMPERIAL E REAL A PRINCESA-MÃE DO BRASIL

Bruno de Cerqueira*

  Maria Elisabeth Franziska Theresia Josefa von Wittelsbach und Croy-Solre, Princesa da Baviera, nasceu aos 9 de setembro de 1914, no Castelo de Nymphenburg, em Munique, capital do Reino da Baviera, no Império Alemão. Era a segunda filha de Sua Alteza Real o Príncipe Franz da Baviera (*1875 †1957), filho de Ludwig III, último Rei da Baviera, e de Sua Alteza Sereníssima a Princesa Isabelle de Croy (*1890 †1982). Sua madrinha era sua tia-avó, a Princesa e Duquesa Marie Salvatrix de Arenberg (*1874 †1957), Princesa Étienne de Croy. A Princesa Maria nasceu no início da I Guerra Mundial. Grande parte de seus parentes, inclusive seu próprio pai, o Príncipe Franz, que era General do Exército Real bávaro, lutou nesse terrível fratricídio. Ela teve uma infância e juventude bastante problemática, em virtude dos regimes que se foram estabelecendo na Alemanha, após o desastroso fim da guerra. Em 1918, seu avô, o Rei Ludwig, teve que abdicar ao trono e partir para o exílio, juntamente com a Família Real, em virtude da proclamação da “República Soviética Bávara” pelos comunistas de Munique. O Rei Ludwig III morreu em 1921, na Hungria. A segunda infância e adolescência a Princesa Maria passou toda no Castelo de Sarvar, na Hungria, propriedade herdada por sua avó paterna, a Rainha Maria Theresia, que era nascida Asburgo-Este (Princesa de Módena, Arquiduquesa da Áustria, Princesa da Hungria etc.) A Família Real retornou à Baviera nos anos 1930. Contra a popularidade dos Wittelsbach nada se podia fazer e o governo republicano se viu obrigado a lhes devolver os castelos e bens confiscados ou, pelo menos, grande parte deles. Óbvio que até mesmo na República de Weimar e na administração regional da Baviera havia monarquistas! Os tempos na Alemanha do pós-guerra foram sombrios, sobretudo na Baviera; o famoso putsch dos nazistas ocorreu em Munique. Preocupado com a ascensão dos ideais totalitaristas, pela sua extremada fidelidade aos princípios da Religião Católica, contrária a qualquer regime de exceção — e especialmente no caso do nazismo, anti-judaico —, o Príncipe Rupprecht (*1869 †1955), Chefe da Casa Real (rei de direito, chamado de “Duque da Baviera”) declarou-se publicamente adversário de Adolf Hitler e dos nacional-socialistas. Em 1933, alguns nobres que ainda detinham poder militar e político lhe ofereceram a restauração do trono, mas logo desarticulou-se a operação pelo temor às gigantescas fileiras nazistas que vinham se formando. A bravura de Rupprecht custou caro a ele e aos seus. Os membros da Família Real tiveram de fugir para a Itália; sua segunda esposa, a Princesa Antonia de Luxemburgo (*1899 †1954) foi interceptada por uma milícia nazista, que a aprisionou em Buchenwald e lhe torturou impiedosamente. Em decorrência disso, ela faleceu anos depois. A Princesa Maria recebeu dos pais esmerada educação. Falava fluentemente Alemão e Francês. Após o casamento, aprendeu o Português. De suas preceptoras inglesas, pôde ainda adquirir uma prática invejável nessa língua, a qual infelizmente perdeu-se com o tempo. Das lições principescas obtidas na infância, ficou-lhe a arte da pintura em porcelana, bastante bávara. Em 19 de agosto de 1937 ela foi desposada, na Capela do Castelo de Nymphemburg, por S.A.I.R. o Príncipe Senhor D. Pedro Henrique (*1909 †1981), Chefe da Casa Imperial do Brasil, neto e sucessor dinástico da Redentora. Assim, a jovem e bela princesa bávara tornou-se, na Europa, a imperatriz-consorte do Brasil… O casamento serviu de pretexto ao Duque da Baviera para enfrentar o Governo Nazista; afinal, compareceram dois soberanos e diversos Chefes de Casa da Europa, entre os quais o Rei exilado de Espanha, D. Alfonso XIII, e a Grã-Duquesa de Luxemburgo, Charlotte I; os altos comandantes alemães não foram convidados… O casal foi viver na França, local de morada no exílio dos príncipes brasileiros. Embora o banimento da Família Imperial tivesse ocorrido em 1920, o herdeiro de D. Isabel I era muito jovem e sob a educação e influência da mãe (Princesa D. Maria Pia das Duas Sicílias), ficara retido na Europa. Ao casar, quis logo vir morar no Brasil, mas a eclosão da II Guerra Mundial impediu a concretização de seu desejo. Em território francês, mas formalmente registrados como brasileiros, nasceram o Príncipe Imperial D. Luiz (*1938), o Príncipe D. Eudes (*1939), o Príncipe D. Bertrand (*1941) e a Princesa D. Isabel (*1944). Em 1938, o casal foi recebido em audiência privada pelo Sumo Pontífice Pio XII no Vaticano. O Papa havia sido o núncio apostólico em Munique (Monsenhor Eugenio Pacelli) nos anos de infância de D. Maria e lhe disse que se lembrava perfeitamente dela, entre os pequenos príncipes a quem abençoava… Em 1945, findada a Segunda Grande Guerra, o casal imperial finalmente chegou ao Brasil. Aqui, foram primeiramente instalados no Palácio do Grão-Pará, em Petrópolis. Por desavenças familiares, D. Pedro Henrique deixou a residência dos primos e foi morar em uma casa no bairro petropolitano do Retiro; nesta casa nasceram o quinto e o sexto filhos: o Príncipe D. Pedro de Alcantara (*1945) e o Príncipe D. Fernando Diniz (*1948). Vindo morar por um pequeno período no Rio de Janeiro, aqui nasceu mais um “imperial infante”, o Príncipe D. Antonio João (*1950). Em 1951, D. Pedro Henrique adquiriu uma propriedade agrícola no interior do Paraná, a Fazenda Santa Maria, na cidade de Jacarezinho, aonde tinham ido morar seus tios e primos maternos (príncipes de Bourbon das Duas Sicílias). No Paraná, nascem os últimos cinco filhos de Dom Pedro e Dona Maria: a Princesa D. Eleonora (*1952), o Príncipe D. Francisco (*1955), o Príncipe D. Alberto (*1959) e as Princesas gêmeas D. Maria Thereza e D. Maria Gabriela (*1959). Em 1965, a família imperial se mudou para Vassouras, cidade do Vale do Paraíba fluminense onde o culto à época de ouro do café permanece muito vivo e onde os descendentes dos monarcas brasileiros são muito queridos. Em 5 de julho de 1981, o Augusto Senhor D. Pedro Henrique faleceu em Vassouras. Seus funerais foram bastante concorridos para a pequena cidade; centenas de monarquistas de todo o Brasil compareceram, além de as próprias autoridades da República terem enviado representantes. O filho e sucessor de D. Pedro Henrique, D. Luiz, apelida o pai de “Condestável das Saudades e da Esperança”. Tornando-se D. Luiz o Chefe da Casa Imperial do Brasil (imperador de jure pela tradição monárquica), D. Maria se converteu em Princesa Mãe do Brasil — ou “imperatriz-mãe” para os cultores da monarquia. D. Maria sempre recordou docemente o carinho com que foi recebida pelos brasileiros, ao desembarcar aqui em 1945. Viveu como “brasileira” no dizer de suas irmãs e demais parentes europeus, a quem tentava visitar quando podia. Muito enérgica e sempre fidelíssima à Igreja, foi considerada por muitos bispos e sacerdotes uma “mulher do Evangelho”. Teve uma vida de exílios, revoluções, perseguições e privações de toda ordem, mas nunca se lamuriou. “Dona Maria da Baviera”, como era chamada pela sociedade brasileira, dividiu os últimos anos de sua vida entre o Sítio Santa Maria, em Vassouras, onde seus netos lhe cercavam aos fins de semana, o Castelo de Beloeil, na Bélgica, onde reside D. Eleonora (Princesa titular de Ligne), e os Castelos de Berg e Leutstetten, na Baviera, onde ela revia seus irmãos, sobrinhos e primos. Acometida de problemas cardíacos, fez algumas intervenções cirúrgicas nos últimos anos e faleceu hoje, próximo do meio-dia, em seu apartamento no Jardim Botânico. A leal servidora da Virgem Maria morre em 13 de Maio de 2011, dia de Nossa Senhora de Fátima e Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento; data também em que a Nação Brasileira comemora mais um aniversário da Lei Áurea, que remiu o Brasil da escravidão. D. Maria nasceu no reinado do Papa Bento XV e morre no de Bento XVI, o Papa bávaro Joseph Ratzinger… Para efeitos genealógicos e heráldicos, resta dizer que Sua Alteza era Dama das Veneráveis Ordens de Santa Isabel e Santa Teresa, da Baviera e Dama Grã-Cruz de Justiça de todas as Imperiais Ordens do Brasil e da Ordem Constantiniana de São Jorge, das Duas Sicílias.

Bruno da Silva Antunes de Cerqueira é historiador

e teve de a honra de servir como secretário titular da Princesa-Mãe entre 1998 e 2002.

13 de Maio: Missa na Igreja da Irmandade do Rosário

Na Igreja da Imperial Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, foi celebrada a Santa Missa em ação de graças pelos 123 anos da Abolição da Escravatura. Esta igreja e esta irmandade têm grande importância para a história do Rio de Janeiro e do Brasil. Pertenceu à Irmandade do Rosário o inesquecível Vanderli Teixeira, membro do IDII falecido em plena juventude.

 

 

 

 

 

Lançamento do livro da Princesa Michael de Kent no Rio de Janeiro

A Princesa Marie Christine, esposa do Príncipe Michael de Kent, primo-irmão de Elizabeth II, Rainha da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte etc., realizou uma visita de uma semana ao Brasil. No Rio de Janeiro,  fez o lançamento de seu livro Coroadas em Terras Distantes, hoje, no salão Marlin do Iate Clube do Rio de Janeiro. Na obra a autora conta a vida de oito princesas reais, que em razão de seus matrimônios, por questões de Estado, tiveram de viver distantes de suas pátrias de origens; entre elas, figura a primeira Imperatriz do Brasil, D. Maria Leopoldina.

A Presidente do IDII, Professora Laila Vils, esteve presente no lançamento, ao qual compareceram outros membros do Instituto, como o Vice-Presidente Bruno Hellmuth e o Cons. Luciano Cavalcanti.

 

 

 

 

Bonito por natureza: o Rio ontem e hoje

O Instituto Dona Isabel se fez presente, por sua Presidente Prof.ª Laila Vils, à exposição Bonito por natureza: o Rio ontem e hoje, que exibe belos cenários cariocas retratados por antigos viajantes europeus e fotógrafos contemporâneos. São peças da famosa Coleção Brasiliana.

“Ao apresentarmos aqui uma seleção de nossa coleção de Brasiliana, ao lado das fotografias contemporâneas de Almir Reis e Jaime Acioli, oferecemos ao público uma mostra em que passado e presente dialogam através das imagens”, declara Vera de Alencar, diretora dos Museus Castro Maya – onde nosso Conselheiro Luciano Cavalcanti é arquiteto-titular. A exposição está em cartaz até 19 de setembro no Museu Chácara do Céu.

Dona Isabel e o fim do Império

A Princesa Isabel e o fim do Império

 

 
Dona Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon nasceu no Rio de Janeiro, em 29 de julho de 1846 e faleceu em Eu, na França, em 14 de novembro de 1921. Foi Princesa Imperial e regente do Império do Brasil por três ocasiões, na qualidade de herdeira de seu pai, o Imperador D. Pedro II e da Imperatriz Dona Teresa Cristina. Foi a primeira Chefe de Estado das Américas e uma das nove mulheres a governar uma nação durante  o século XIX. Cognominada Redentora, por ter abolido a escravidão no Brasil, ao assinar a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, foi também a primeira senadora do Brasil, cargo a que tinha direito como herdeira do trono e segundo a Constituição do Império do Brasil de 1824.
A Lei Áurea extinguiu a escravidão no Brasil em decorrência das fortes pressões internas e externas, provocadas por políticas republicanas que acusavam a monarquia por ainda manter a escravatura. Os escravos continuavam a fugir e o exército deixara  de assumir o papel de capitão-do-mato. O trabalho escravo tornara-se  economicamente indesejável, frente à concorrência da mão-de-obra imigrante, esta menos dispendiosa e mais qualificada.   A  palavra Áurea vem do latim Aurum., cujo significado é “feito de ouro”, “resplandecente”, “iluminado. É utilizada para expressar o grau de magnitude das ações humanas. Há quem acredite, no entanto, que a Lei Áurea recebeu  tal designação por ter sido promulgada no dia  13 de maio, data do falecimento de Dom João VI, bisavô da Princesa, e não, como muitos dizem outros,  por ter sido assinada com belíssima pena de ouro, contendo 27 diamantes e 25 rubis.
O exílio da Família Real
Extinta a monarquia em 15 de novembro de 1889, Marechal Manoel Deodoro da Fonseca, chefe do Governo Provisório Republicano, expediu, no dia seguinte,  a comunicando a deposição da dinastia  imperial e a extinção do sistema monárquico representativo. Nesse mesmo dia, o ex-imperador D. Pedro II  recebeu  ordem para que a família imperial deixasse imediatamente o Brasil.  Assim escreveu a Princesa Isabel em Memória para meus filhos: “no dia 16 às duas horas da tarde chegou a Comissão do Governo Provisório com uma mensagem a Papai exigindo sua retirada para fora do país”. A princesa Isabel relata que os filhos chegaram de Petrópolis, onde estavam, etc (…) “A idéia de deixar os amigos, o país, tanta coisa que amo, e que me lembra mil felicidades, fez-me romper em soluços. Nem por um momento desejei uma menor felicidade para minha pátria, mas o golpe foi duro”.
Atemorizada pelos acontecimentos, partiu a Família Real, ignorando  o futuro que os esperava. Ainda no porto, um oficial se dirigiu à Princesa, dizendo- lhe: “Vossa Alteza compreende que esta transformação era necessária”, ao que ela lhe responde: “pensava que se daria, mas por outro modo; a nação iria elegendo cada vez maior número de deputados republicanos e então, tendo a maioria, nos retiraríamos”.
Na madrugada ddia 17 de novembro de 1889 teve início o embarque da família imperial no navio Parnaíba e  transferência para o navio Alagoas, acompanhado pelo navio Riachuelo, enquanto estivessem em águas brasileiras. Diz Raul Pompéia, “culpa, tristeza e mesmo certa vergonha. Em vez da luz forte do sol, temos o escuro da noite, em lugar da recepção calorosa, a partida solitária, sob olhares escondidos. Assim seguiram para Portugal  aqueles que, a partir de 1808, transformaram uma colônia adolescente numa poderosa  Nação, evitando  a fragmentação do território conquistado, tal  como ocorreu no oeste do continente. Sem a Família Bragança o Brasil teria se transformado num conjunto de países muito menos poderosos.


Omissões históricas, preconceitos e discriminações 
Não se pode afirmar que o Brasil  tenha sido o último país a erradicar a escravatura, a não ser que se considere apenas as Américas no século XIX. Em entrevista publicada no Caderno Idéias do Jornal do Brasil, em 2001, o canadense Paul Lovejoy, professor da Universidade de York, pesquisador e autor do Atlas Histórico da Escravidão, comenta que a Nigéria, de onde vieram muitos cativos para o Brasil,  libertou os escravos nos anos 30 do século XX.  Outros países, como a Arábia Saudita e a Mauritânia, eliminaram a escravidão por volta de 1960. De acordo com o depoimento de Paulo Verger, famoso fotógrafo e escritor francês (Fundação Paulo Verger),  os negros africanos atacavam povos no interior da África, marcando com ferro incandescente  as iniciais do comprador nos prisioneiros. Tal como os europeus, eram traficantes riquíssimos , negociavam o  preço dos escravos e trabalhavam em navios tumbeiros. Os mais ricos fazendeiros utilizavam escravos em suas propriedades  africanas.
No livro de Alberto da Costa e Silva (in  Um rio chamado Atlântico, Editora Nova Fronteira ) , ex- presidente da Academia Brasileira de Letras e embaixador na Nigéria, o maior africanólogo em língua portuguesa,  revela peculiaridades e fatos históricos de uma África que ainda não conhecemos. Segundo ele, os escravos africanos  pertenciam aos reis e aos grandes do Daomé, reino africano situado na África Ocidental, e o tipo de trabalho pouco diferia do americano em dureza e crueldade. Na sua visão, o oceano Atlântico foi, durante os séculos da escravatura e nos primeiros anos que se seguiram à abolição, um rio largo e comprido que tinha como margens o Brasil e a África ocidental. O autor sustenta que a cultura africana é um dos alicerces da cultura brasileira, porém o modo de vida do outro lado do Atlântico também foi influenciado pelo Brasil. Há portanto necessidade de conhecer de forma documentada, as duas margens desse grande rio.
Por ser injusta e pouco democrática a distância social entre o Brasil negro e o Brasil branco, é natural que o imaginário do povo sobre a escravidão contenha distorções ideológicas, tornando-se necessário interpretar, com metodologia séria, a origem dos preconceitos e das discriminações existentes em nosso meio, para então introduzir os resultados obtidos nos livros didáticos que freqüentemente os omitem.
Em matéria publicada especialmente para a Folha de São Paulo, os jornalistas Leandro Naloch e Nei Lopes  analisam os enredos maniqueístas dos temas das escolas de samba que desfilam no carnaval, observando que neles os afrodescendentes  são sempre caracterizados como heróis libertadores, sendo todos os outros seus opressores. Exalta-se menos, ou raramente, o papel do negro na  formação do povo brasileiro e na miscigenação, sem mencionar que as mulheres negras compartilharam da intimidade dos grandes proprietários das fazendas, em cujas casas moravam e até tinham filhos com eles.
Os dois Brasis
É enorme a distância entre o Brasil moderno dos brancos e o  Brasil arcaico  dos negros. Nas palavras de Norberto Bobbio, “ao lado de
um estado de poder visível, há sempre  um estado de poder invisível  que passa despercebido”. Cento e vinte anos depois da abolição da escravatura quais são as condições sócio-econômicas da comunidade negra no Brasil  ?  No momento em que tanto se fala das políticas públicas e dos sistemas de cotas no Brasil, basta entrar na sala das grandes universidades brasileiras, públicas ou privadas, para observar o grave problema ainda não resolvido pela república brasileira. Como dizia Joaquim Nabuco, “acabar com a escravidão não basta; é preciso abolir a miséria”.
Estudo realizado na  Universidade de Brasília mostra que os professores brancos representam 99 % do quadro das universidades públicas brasileira, num país em que os afrodescendente representam 47% da população brasileira..Muito embora haja visíveis avanços no controle de preconceitos e discriminações de raça, particularmente após a Constituição de 1988, os ideais dos direitos humanos e da cidadania estão longe de ser alcançados. O banco de dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que utiliza o cálculo do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH/PNUD) , assim como dados provenientes da Fundação João Pinheiro, permitem comparar as condições sociais dos negros entre países e no Brasil. O IDH dos brasileiros negros coloca-se  na 107ª posição em 175 nações,  equivalendo  a  El Salvador e China, ao passo que os brancos brasileiros apresentam encontram-se  na 46ª posição nesse mesmo conjunto de nações !
Nas estatísticas apresentadas pela Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios – PNAD 2001, o rendimento médio familiar, per capitã, dos negros de todo o Brasil, foi de 1,15 salários mínimos, ao passo que o mesmo índice entre os brancos foi de 2,64 salários mínimos. A taxa bruta de escolaridade entre os negros brasileiros foi de 84% e a dos brancos de 89%. A taxa de alfabetização das pessoas maiores de 15 anos também apresentou variação positiva para o contingente branco (92,3%) – mais de 10 pontos percentuais superior ao ocorrido entre os negros, cujo índice de alfabetização foi de 81,8%. Lamentavelmente, no que tange ao indicador da esperança de vida ao nascer para o período 1990-1995,, a esperança de vida ao nascer foi de 70 anos para os brancos e de 64 anos para os negros.
Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2001, apenas 15,8% dos negros puderam concluir curso de graduação, enquanto entre brancos esse índice atingiu 53,6%.  No período entre 1992 e 2001, o número de crianças e adolescentes negros no mercado de trabalho foi duas vezes maior do que o de brancos, impedindo, obviamente, ascensão social pela educação. Agrava-se a condição dos brasileiros negros por ser insignificante o acesso a cargos com poder de decisão. Nas eleições de 1999 apenas 15 parlamentares negros foram eleitos entre as 513 cadeiras da Câmara do Brasil (2,8%).
Racismo como tema global
O conceito de direitos humanos tem sido apoiado por  convenções, tratados  e ratificações. Em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada pela Assembléia Geral da ONU e assinada pelo Brasil na mesma data, ainda sob o impacto das atrocidades cometidas durante a 2ª Guerra Mundial, comprometeu-se a promover os direitos humanos sem distinção de raça, sexo, língua ou religião.Esse documento foi traduzido em 360 idiomas. Como tema global, publicou-se a famosa “Convenção Internacional sobre a eliminação de todas as formas de discriminação racial”, assinada pelo Brasil em 1966 e  ratificada em 1968, com decreto assinado em 1969. Nela se expressam as  liberdades fundamentais para todos, sem discriminação de raça, sexo, idioma ou religião.
Um dos principais objetivos da Convenção é criar um povo unido, sem classificar os Brasileiros em função das raças ou das raças resultantes. Como aqui se sugere, é preciso estudar mais profundamente não apenas o que aconteceu no glorioso dia 13 de maio de 1888, mas também no dia 15 de novembro de 1889, no início da república. Talvez possamos nos aproximar cada vez mais dos ideais da cidadania expressa na Constituição de 1988 e, ao garantir a igualdade dos direitos humanos para todas etnias, contribuir para tornar ainda maior esta notável Nação.
Como consta na história documentada, creio ter sido essa a intenção do ato da Princesa Isabel, o que se comprova pela famosa frase
“prefiro perder o reino do que não libertar os escravos”. Foi essa também a terna admiração expressa pelo Imperador, que se encontrava fora do Brasil, ao enviar-lhe um telegrama, onde se lia “Abraço à Redentora”.
Bibliografia
Barman, Roderick J., trad. de Luiz Antônio Oliveira Araújo, : Princesa Isabel do Brasil – Gênero e poder no século XIX.
Carvalho, José Jorge,  Inclusão étnica e racial no Brasil – a questão das cotas no ensino superior.
Cerqueira , Bruno da Silva Antunes de (org.), D. Isabel I a Redentora, Rio de Janeiro, 2006
Daunt, Ricardo Gumleton, Devaneios de uma época imperial, Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo,1970.
Schwarcz, Lilia Moritz, As barbas do Imperador : Dom Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo, Companhia das Letras, 1998.
Racismo no Brasil: percepções da discriminação e do preconceito racial no século XXI / organizadoras Gevenilda Santos e Maria Palmira da Silva – São Paulo. Editora Fundação Perseu Abramo, 2005.8:38
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*Nelly Martins Ferreira Candeias é Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.

Ajuda comunitária do IDII

Janeiro de 2011 ficará marcado como o mês em que a Região Serrana do Rio de Janeiro foi castigada e devastada pelas chuvas torrenciais que soterraram prédios, casas, veículos, animais e famílias inteiras. Teresópolis, Friburgo e seus arredores, suas cidadezinhas produtoras de hortaliças e produtos hortigranjeiros, foram sucumbidas pela força da água descendo as encostas. Nestas regiões foi decretado estado de calamidade pública, com a morte de mais de 900 pessoas e uma outra infinidade de desaparecidos.

Acesos em nosso amor ao próximo, e atendendo ao pedido do Senhor Bispo Diocesano, Dom Filippo Santoro, levamos colchões, roupas, água potável, remédios, mantimentos e produtos de higiene.

No Soberbo, lugar de rara beleza, há o Monumento à Mãe dos Brasileiros, Dona Thereza Christina Maria. Teresópolis recebeu este nome em homenagem à mãe de D. Isabel.

Descortinando o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, vê-se o Dedo de Deus e a Pedra do Sino. O monumento, infelizmente, foi totalmente pichado.

Subiram a serra para a ajuda comunitária a Presidente Laila Vils, o Gestor Bruno de Cerqueira e a assistente social Verônica Pinheiro.